Lisboa de Fernando Pessoa

Lisboa de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é considerado por muitos, o maior escritor português dos tempos modernos. Viveu a grande maioria da sua vida na cidade de Lisboa, sendo ainda possível encontrar muito dele na capital portuguesa.

A sua cidade é também muito minha, pois já aqui vivo há muitos anos. Conheço-a bem, depois de percorrer tantas vezes as suas ruas, mas há sempre pormenores e perspetivas que nos escapam. Há algum tempo resolvi “olhar” a cidade pelos olhos de Fernando Pessoa. Não passei em nenhuma rua que ainda não tivesse ido, mas vi e vivi Lisboa de uma outra forma.

Imaginei aquele homem magro, reservado, com roupa cinzenta, de cigarro na mão, óculos e chapéu na cabeça, a caminhar nas ruas, pensando nas próximas palavras a colocar no papel. Fui ver onde nasceu, onde morou, onde se encontrava com amigos para beber um café ou onde estava sozinho com os seus pensamentos. Onde conheceu o seu amor e onde acabou os seus dias.

É este passeio que convido a fazer. Espero que goste de ver Lisboa de uma outra forma.

Primeiros anos (até aos 7 anos)

A história do escritor começou a 13 de junho do ano de 1888. Foi nessa 5ª feira à tarde, que no 4º esquerdo do nº4 do Largo de São Carlos nasceu Fernando António Nogueira Pessoa. No coração de Lisboa, na zona do Chiado, mesmo em frente ao Teatro Nacional de S. Carlos. No prédio onde nasceu encontra-se atualmente uma placa comemorativa do seu nascimento.

Prédio onde Fernando Pessoa nasceu

Prédio onde Fernando Pessoa nasceu

Placa comemorativa do nascimento de Fernando Pessoa

Placa comemorativa do nascimento de Fernando Pessoa

A mãe era açoriana e chamava-se Maria Madalena Pinheiro Nogueira, o pai lisboeta era Joaquim de Seabra Pessoa. Batizaram o seu filho com um mês de idade na Basílica dos Mártires, no Chiado, não muito longe do seu local de nascimento.

Interior da Basílica dos Mártires

Interior da Basílica dos Mártires

O pai Joaquim morreu com tuberculose, quando Fernando Pessoa tinha cinco anos. A família mudou-se para um apartamento localizado na R. De S. Marçal nº104 3. Foi nesta casa que Pessoa terá escrito a sua primeira quadra. Tinha então sete anos. A quadra tem o nome de “À minha querida mamã”.

Pouco depois de enviuvar, a mãe casou com o comandante João Miguel Rosa, que pouco tempo antes tinha sido nomeado cônsul de Portugal em Durban, uma colónia britânica na África do Sul. Logo após o casamento toda a família mudou-se para Durban, onde passou nove anos.

Onde ir

  • Largo de S. Carlos nº4 º 4º esquerdo – onde nasceu;
  • Basilica dos Mártires – onde foi batizado;
  • R. de S. Marçal nº104 3º – onde viveu após a morte do pai.

 

África do Sul (dos 8 aos 17 anos)

Fernando Pessoa chegou com a família a Durban, na África do Sul, com oito anos. Aqui frequentou um colégio onde fez em três anos o equivalente a cinco. Cedo se revelou um estudante brilhante.

Regressou a Lisboa para umas férias de uns meses, tendo alguns meses depois regressado à Africa do Sul. Entrou na universidade onde escreveu o melhor ensaio em inglês do exame de entre 899 candidatos…

O regresso definitivo à capital portuguesa ocorreu no ano de 1905, no ano em que Pessoa tinha 17 anos.

Regresso a Lisboa (17 aos 47 anos)

Fernando Pessoa regressou sozinho a Lisboa. Tinha então 17 anos. Frequentou durante dois anos o curso de letras e trabalhou alguns meses como estagiário na R.G. Dun, uma agência internacional de informações comerciais. Com 21 anos montou a “Empresa íbis – Tipográfica e Editora”, mas cerca de um ano depois foi extinta.

Entre os seus 25 e os 35 anos trabalhou em cerca de dez escritórios, sempre no centro de Lisboa. Foi secretário, tradutor e correspondente comercial. Nunca teve dificuldade em arranjar trabalho, uma vez que escrevia e falava muito bem inglês. Em alguns desses locais escreveu excertos dos seus livros. No escritório da R. da Assunção nº42 2º conheceu Ofélia Queirós, o único amor que se lhe conhece. Trocaram inúmeras cartas de amor, mas nunca chegaram a casar.

Prédio onde Fernando Pessoa conheceu Ofélia Queirós

Prédio onde Fernando Pessoa conheceu Ofélia Queirós

Ao longos dos anos em que viveu na sua cidade natal viveu muito a cidade. Morava, trabalhava, escrevia e deambulava sempre por Lisboa.

Destaco duas das suas muitas moradas:

  • Largo do Carmo 18-20 1º – foi neste quarto alugado onde traduziu obras inglesas e espanholas para português, para a Biblioteca Internacional de Obras Célebres;
  • R. Coelho da Rocha nº16 1º – foi a sua última residência. Atualmente é a Casa Fernando Pessoa.
Prédio onde Fernando Pessoa morou (Largo do Carmo)

Prédio onde Fernando Pessoa morou (Largo do Carmo)

Pessoa frequentou imensos cafés e restaurantes lisboetas, com amigos ou muitas das vezes sozinho, uma vez que era muito reservado. Ia muito à Brasileira do Rossio e do Chiado, ao Martinho da Arcada ou à taberna do Abel Pereira da Fonseca. Todos estes locais ainda existem e são fantásticos, em especial a Brasileira do Chiado. É o meu preferido.

Um local que já não existe e onde Pessoa numa época tinha por hábito almoçar diariamente era o Restaurante Pessoa, na R. dos Douradores nº190.

Brasileira do Chiado

A Brasileira do Chiado é um café emblemático de Lisboa, que foi inaugurado em 1905. Era neste espaço que figuras como Pessoa ou Almada Negreiros se reuniam de forma regular e realizavam tertúlias. Localiza-se no largo do Chiado, no coração de Lisboa.

Como homenagem ao poeta, por ser um frequentador assíduo da Brasileira, nos anos 80 foi colocada uma estátua sua, na zona da esplanada.

Estátua de bronze na esplanada da Brasileira

Estátua de bronze na esplanada da Brasileira

 

Martinho da Arcada

Este é o café mais antigo de Lisboa e localiza-se no Praça do Comércio nº 3 (também conhecido como Terreiro do Paço), junto ao rio Tejo. Foi inaugurado em 1872 por Marquês de Pombal com o nome de “Casa da Neve” e só em 1845 obteve a designação atual.

Pessoa era uma das grandes figuras que frequentava o Martinho da Arcada. Nos últimos anos da sua vida este café era a sua segunda casa, dado o número de horas que aqui passava. A mesa que habitualmente frequentava encontra-se exatamente da mesma forma como na sua altura. Esteve lá sentado a escrever um café dois dias antes de morrer.

Mesa habitual (sem toalha) no Martinho da Arcada

Mesa habitual (sem toalha) no Martinho da Arcada

Taberna de Abel Pereira da Fonseca

Pessoa numa altura da sua vida tinha por hábito ir ao “Abel” para tomar um cálice de aguardente. O “Abel” era uma taberna do empresário Abel Pereira da Fonseca. Atualmente tem o nome de Licorista – O Bacalhoeiro.

No interior deste espaço encontra-se ainda hoje uma imagem do escritor ao balcão, a beber um copo de vinho. A legenda da imagem foi escrita por Ofélia e diz: Flagrante delitro”.

 

A vida de Pessoa terminou aos 47 anos. Foi internado no Hospital de S. Luís dos Franceses, na R. Luz Soriano nº 182 e enterrado no Cemitério dos Prazeres. 50 anos depois os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos.

Onde ir

  • R. da Assunção nº42 2º – escritório onde conheceu Ofélia Queirós, a sua única namorada;
  • Largo do Carmo nº18-20 1º– onde viveu;
  • Coelho da Rocha nº16 1º– a sua última morada e atualmente a Casa Fernando Pessoa;
  • Brasileira do Chiado – café que frequentava e onde na esplanada se encontra uma estátua sua;
  • Martinho da Arcada – café que frequentava e onde existe a mesa onde ficava exatamente conservada tal e qual como era nessa altura;
  • Licorista – O Bacalhoeiro – local onde ia regularmente. Aqui encontra-se a famosa imagem do “Flagrante delitro”

 

Uma tarde de domingo na Lx Factory

Uma tarde de domingo na Lx Factory

Lx Factory

No último domingo à tarde fui passear à Lx Factory. É um espaço da capital portuguesa, renovado há poucos anos e fica já muito próximo do rio, na zona de Alcântara. Esta zona é já um pouco afastada do centro de Lisboa, mas existem carreiras regulares e comboio que nos podem deixar lá muito perto. Ao chegar é preciso procurar com atenção um portão de ferro, uma vez que é uma entrada muito discreta.

Na Lx Factory sente-se uma boa energia, devido a uma mistura de factores. Tem um ar abandonado e decandente, as lojas e escritórios são super originais e irreverentes e as pessoas que por lá andam parecem ser muito interessantes. Todo este ambiente é ainda melhor ao domingo.

Neste dia da semana realiza-se o Lx Market, entre as 11 e as 20h. Algumas das ruas enchem-se de bancas com vendedores portugueses e outros estrangeiros. É vendida roupa, joalharia, fruta e legumes, sumos e bebidas alcóolicas, produtos naturais e de decoração. Mas mesmo que não vá comprar nada vale a pena fazer parte deste mercado.

O que era a Lx Factory?

Ao percorrer as ruas da Lx Factory vai perceber que este espaço era uma zona fabril. Foi no ano de 1849 que a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense foi ali inaugurada. Era uma das maiores fábricas de Lisboa na época.

A Companhia já existia desde 1838 mas a instalação em Alcântara ocorreu com o objetivo de juntar todos os edifícios relacionados com a atividade, que se encontravam dispersos. O responsável pelo projeto foi o arquiteto português João Pires da Fonte.

O primeiro edifício fabril a ser inaugurado tinha 4 andares, uma chaminé enorme e uma máquina de vapor no seu interior, que permitia realizar a fiação e a tecelagem. Nos anos seguintes foram construídos mais 5 edifícios e em toda a instalação chegaram a existir 300 teares, provenientes de Inglaterra. Foram os tempos aúreos da atividade.

Imagina a quantidade de pessoas que trabalhavam na fábrica? Tendo em vista albergar os trabalhadores e as suas famiílias a Companhia foi responsável por construir muito próximo instalação fabril, uma vila operária. Se a quiser ver dirija-se à Rua 1º de maio. E já agora, para lhe deixar alguma curiosidade, acrescento que existem muitos outras vilas operárias em Lisboa, se bem que da rua 1º de maio foi a primeira de todas.

Depois de gozar de algum prestígio, a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense começou a ter problemas (provocados pela implementação da República em Portugal) e acabou por se dissolver. Os edifícios fabris foram vendidos, primeiro à Companhia Industrial de Portugal e Colónias e seguidamente à tipografia Anuário Comercial de Portugal e Gráfica de Mirandela.

A atividade industrial foi gradualmente diminuindo em Lisboa e o espaço ocupado pela fábrica foi-se degradando. E assim sendo, este espaço enorme e 23000m2, permaneceu escondido em Lisboa.

O que é a Lx Factory

Foi em 2008 que nasceu o projeto Lx Factory. É uma ilha onde se respira criatividade e inspiração. A fábrica obsoleta ressuscitou e atualmente é um foco cultural obrigatório para quem visita (ou vive em) Lisboa.

Frase escrita numa parede da Lx Factory

Frase escrita numa parede da Lx Factory

Nas antigas instalações existem agora empresas relacionadas com arquitetura, design, restauração, publicidade, moda, artes plásticas, música, fotografia, assim como alguns restaurantes e cafés, entre outras áreas. É uma lufada de ar fresco ver o que se passa na mente criativa dos portugueses.

Ao domingo além de todo este comércio que referi ainda temos o Lx Market. São tantas bancas de produtos mais ou menos originais, que é um delícia percorrer e quem sabe até comprar. Talvez uns tomates ou figos de Torres Vedras, uma nova pulseira original e única (porque é feita à mão), uma camisola gira ou um azulejo típico de Lisboa para recordar a cidade e o passeio desta tarde.

3 locais onde encontrar Kafka em Praga

3 locais onde encontrar Kafka em Praga

Franz Kafka

Vida

Era uma vez um checo de nome Franz Kafka. Nasceu em Praga a 3 de julho de 1883, na altura em que a República Checa pertencia ao império Austro-Húngaro dos Habsburgos.

Kafka era o mais velho dos seis filhos de um casal de judeus (de expressão alemã), que pertenciam à classe média. Os pais chamavam-se Hermann Kafka e Julie Löwy e tinham um negócio, que os obrigava a estar a maior parte do dia fora de casa e longe dos seus filhos. Este afastamento associado a algum autoritarismo, iria ser determinante na vida (e obra) de Kafka.

O seu percurso académico fez-se sem grandes sobressaltos. Frequentou a escola secundária onde agora é o Palácio Kinský e mais tarde a faculdade de Direito. Após a conclusão do curso ele teve alguns empregos para sobreviver, mas estava sempre insatisfeito. O que gostava mesmo era de se dedicar à literatura.

No ano de 1917 apanhou tuberculose e teve de deixar de trabalhar, sendo obrigado a passar o resto da sua vida em sanatórios e balneários. Kafka pediu que tudo o que tinha escrito fosse queimado. Mas o seu melhor amigo publicou a sua obra após a sua morte. E ainda bem… Se assim não tivesse sido nunca teriamos lido obras primas como O Processo.

Obra

O escritor não foi reconhecido em vida, tendo apenas publicado sete pequenos livros, mas atualmente é considerado um dos mais influentes do século XX.

Kafka (e a sua obra) está intimamente ligado a Praga. Além de lá ter nascido e vivido a maior parte dos seus 41 anos, adorava-a. Numa carta a um amigo escreveu uma vez “Prague doesn’t let go. Of either of us. This old crone has claws. One has to yield, or else. We would have to set fire to it on two sides, at the Vyšehrad and at the Hradčany; then it would be possible for us to get away.”

Tudo o que escreveu encontra-se impregnado do ambiente gótico, sombrio e misterioso de rio que existia em Praga, assim como das marcas do seu passado eslavo e alemão. E por isso visitar a capital checa é de certa forma, visitar Kafka e tentar sentir o ambiente que o envolveu durante tantos anos. Mesmo que Praga tenha mudado um pouco e por consequência o seu ambiente.

Eu li algumas das obras de Kafka e gosto imenso do seu estilo único e caótico. E confesso que a minha vontade de visitar Praga também estava relacionada com este escritor. Por isso quando lá estive quis ver um pouco da cidade em que ele viveu. Não é difícil encontrarmos Kafka em Praga, basta apenas saber para onde olhar. Mas é preciso ter em atenção que Kafka não nomeia explicitamente os locais de Praga. Ele refere-se a eles da forma como os interpreta. É a metamorfose da cidade…

De todos os locais onde fui destaco três sitios que fizeram parte da vida do autor e onde foram construídas obras interessantes, para o homenagear.

Estátua de Kafka

O escritor trabalhou em vários locais na cidade de Praga. Um desses foi uma companhia de seguros na Cidade Nova, onde hoje se encontra o Quadrio Shopping Center.

Como homenagem a Kafka, no ano de 2014 foi construída junto à entrada da área comercial uma escultura gigante designada “K on Sun”. Gostei imenso de ver esta escultura tão original.

Não foi fácil encontrar, tive de perguntar a algumas pessoas na rua e no posto de turismo. Fiquei com a impressão de que não é um local que os habitantes locais conheçam…. Ler as obras de Kafka foi proibido durante muitos anos no país, o que talvez explique que os praguenses não se encontrem muito familiarizados com ele. A Metamorfose, uma das suas mais importantes obras, foi traduzida para checo apenas em 1929.

A estátua é um enorme busto (com 11 metros) espelhado com 42 camadas independentes (que giram) de aço inoxidável. Pesa 45 toneladas e encontra-se quase sempre em movimento. As camadas podem girar em qualquer direção, o que faz com que o busto possa ter aspetos diferentes. É apenas por brevissimos instantes que podemos ver as 42 camadas totalmente alinhadas.

Ao ver esta peça mover-se durante algum tempo, lembrei-me das obras que li e da personalidade complexa e caótica que imagino que Kafka teria e que o terá atormentado.

Estátua de Kafka

Estátua de Kafka

 

Museu Franz Kafka

Kafka mudou várias vezes de habitação, tendo vivido em ambas as margens do rio Vlatava. Um dos locais onde morou foi num apartamento em Mala Strana, num edifício hoje ocupado pela Embaixada Americana.

A cerca de 700 metros desse apartamento encontra-se o museu Franz Kafka, numa antiga fábrica de tijolos, mesmo junto ao rio. Na minha opinião é um ponto obrigatório para quem quer conhecer melhor a vida e obra deste famoso escritor. Para mim foi especialmente interessante ver a letra de Kafka num papel e imaginá-lo a escrever todas aquelas cartas para amigos e amores, assim como todas as obras que já li em livro e que tanto gostei.

A exposição que constitui o museu começou por estar em Barcelona, seguidamente em Nova Iorque e só em 2005 é que se instalou em Praga. É possível dividi-la em duas seções:

  • O espaço existencial – é explicada a forma como Praga influenciou a vida do escritor;
  • A topografia imaginária. é abordada a forma como Kafka via Praga e a transformava na sua imaginação.

No acesso ao museu encontra-se uma peça que faz lembrar um pouco a cabeça de Kafka, até porque foram desenhadas pelo mesmo artista. Ambas as esculturas são constituídas por camadas que se movem de forma independente. A que se encontra no acesso ao museu é constituída por dois homens (com 2,10 metros cada um) em frente um ao outro, a urinar para uma zona no chão que possui o formato da República Checa.

Ambos os homens vão-se mexendo há medida que urinam, tornando a cena incrivelmente real. Na altura não sabia, mas depois de estar em Praga, descobri que é possível enviar mensagem para o número que está exposto junto à escultura e esperar que os homens “escrevam” com a urina o texto que tivermos enviado!

Estátua junto ao Museu Franz Kafka

Estátua junto ao Museu Franz Kafka

Estátua de Franz Kafka

Na proximidade do local onde o pai de Kafka tinha o seu negócio encontra-se desde 2003 uma estátua de bronze. É uma obra em que se vê um homem às cavalitas de um fato vazio, sem ninguém que o vista. Tem 3,75 metros e pesa 800 kg.

É uma daquelas coisas que provavelmente ninguém vai entender muito bem o que significa, num primeiro olhar. Mas quem se lembrar da obra Description of a Struggle vai perceber que a estátua foi inspirada no que foi um dos primeiros contos do escritor.

Estátua de Franz Kafka

Estátua de Franz Kafka

Ao passear por Praga senti que Kafka e a cidade se encontram intimamente relacionados, tal como era a minha expetativa. Tudo o que o escritor era e tudo o que escreveu está impregnado de todo o mistério e misticismo que ainda se consegue imaginar que Praga seria há uns bons anos atrás.

A praça da cidade velha de Praga

A praça da cidade velha de Praga

O centro histórico de Praga é formidável, com edifícios excepcionais, um castelo imponente e uma ponte que é uma das mais famosas do mundo. É Património UNESCO desde 1992.

A área central de Praga é atravessada pelo mais extenso rio do país, o rio Vltava. Tem 435 km, nasce na região da Boémia e desagua a alguns quilómetros a norte da capital checa. O rio divide a Praga em em duas margens.

De um lado encontra-se Malá Strana, onde se localiza o Castelo, e Hradcany. Na outra margem existe Staré Mesto (cidade velha – zona medieval), Nové Mesto (cidade nova), Josefov (bairro judeu) e Vysehrad.

Cidade velha

A praça da cidade velha é a mais antiga e a mais importante do centro histórico de Praga. Começou no século X, como uma área comercial das rotas comerciais europeias. A burguesia financiou esta zona para competir com a Catedral, que se localiza na outra margem do rio.

Aqui existiam padeiros, oleiros, herbalistas, produtores de pão de gengibre e muitos outros artesãos que vendiam o que produziam. Vendiam-se também cogumelos, morangos, bolos, peixe e muitas coisas mais.

Alguns séculos mais tarde, além de importante centro económico, a praça passou a fazer parte do quotidiano dos habitantes, devido ao estabelecimento da Câmara Municipal e da Igreja de Santa Maria de Týn. Acontecimentos trágicos também aqui sucederam, tais como tumultos e execuções. Destaco a execução dos 27 checos que se revoltaram contra a Dinastia dos Habsburgos. Se olhar para o chão da praça vai ver 27 cruzes, em homenagem aos 27 mortos.

A praça já sofreu algumas alterações ao longo dos anos, mas continua a ser um local belíssimo e absolutamente imperdível numa visita a Praga. Este local já testemunhou muitos eventos históricos.

Principais edifícios

Todos os edifícios da praça da cidade velha são extraordinários. De seguida, destaco os que podem ser considerados mais importantes.

Escolha um café simpático e sente-se numa esplanada. Admire longamente todos os edifícios da praça.

Antiga Câmara Municipal

O edifício da Câmara Municipal foi criado no ano de 1338 e tinha como objetivo inicial ser a sede da administração da cidade velha. Alguns anos mais tarde, foi adicionada uma torre a sul e em 1410 foi instalada na sua fachada o relógio astronómico.

Este relógio é um dos pontos mais emblemáticos de Praga. É um dos mais antigos e elaborados do mundo. Além de marcar as horas, também indica as fases da lua e o movimento das estrelas… É um monumento à observação dos céus.

Se tiver curiosidade em saber toda a informação que poderá obter no relógio astronómico leia o artigo que escrevi exclusivamente sobre ele.

Relógio astronómico na antiga Câmara Municipal

Igreja de Nossa Senhora de Týn

A Igreja de Nossa Senhora de Týn é um dos edifícios góticos mais impressionantes de Praga. É facilmente reconhecida pelas suas torres pretas, que têm alturas diferentes.

Foi construída a partir do século XIV no local onde se encontrava um antigo edifício românico, que acolhia comerciantes estrangeiros. Este templo localiza-se ao lado do pátio de Týn, e foi devido a este facto que foi buscar o seu nome. O pátio de Týn era o local onde antigamente eram pagos os impostos das mercadorias que iam ser vendidas em Praga.

Durante muito tempo na Igreja de Nossa Senhora de Týn foi praticado o culto hussista, movimento reformista iniciado por Jan Hus. Desde o século XVIII que é um templo pertencente à igreja católica.

Ao longo dos anos a igreja foi renovada algumas vezes, mas mantem o encanto, por isso o seu interior jutifica muito bem a visita. Pode encontrar o túmulo do famoso astrónomo dinamarquês Tycho de Brahe e o órgão mais antigo de toda a cidade de Praga (1673).

Igreja de Nossa Senhora de Týn

Igreja de S. Nicolau

A Igreja de S. Nicolau era a principal da cidade velha, antes da Igreja de Nossa Senhora de Týn ter sido construída. Foi tomada pelos monges beneditinos no decorrer do movimento da contra-reforma e mais tarde foi reconstruída em estilo barroco.

No interior existe uma fantástica decoração e murais que retratam a vida de S. Nicolau e também de S. Benedito. Impressionante é o candeiro que foi oferecido pelo Czar Nicolau II.

Na Igreja de S. Nicolau podemos assistir a concertos de música clássica, no periodo da noite.

Palácio Kinský

No local onde atualmente se encontra o Palácio Kinský já existiram alguns edifícios muito antigos. O palácio rococó que vemos foi construído no século XVIII, para o conde Jan Arnost Goltz. Após a morte de Goltz o palácio foi adquirido pela proeminente família Kinský, que permaneceu até ao ano de 194. Desde 1949 que ficou sob a administração da Galeria Nacional.

No Palácio Kinský já aconteceram algumas coisas interessantes, de entre as quais:

  • Nasceu a 1ª mulher a ganhar o prémio Nobel da Paz;
  • Foi escola de gramática alemã, tendo como um dos alunos o famoso Frank Kafka;
  • Klement Gottwald discursou da varanda, o que levou a um golpe de estado.

A fachada do palácio é em tons brancos e rosa, destacando-se um pouco dos restantes edifícios da praça.

Palácio Kinský

Casa do Sino de Pedra

A Casa Sino de Pedra é um belíssimo exemplo da arquitetura gótica na cidade de Praga, edificada no século XIII. Acredita-se que tenha sido construída como palácio para a família real, para Elisabeth da Boémia.

Este nome surgiu algum tempo mais tarde devido à existência de um sino de pedra, cuja cópia podemos ver na esquina da casa.

Ocorreram algumas alterações à fachada da Casa mas no século XX fez-se uma tentativa para recuperar a original. É esta que felizmente ainda nos é possivel ver.

Desde 1988 que o interior da Casa é um espaço de exibição de arte, uma livraria e um café.

 Monumento a Jan Hus

Na praça da cidade velha encontra-se um monumento de pedra e bronze realizado pelo escultor checo Ladislav Šaloun. É uma obra interessante da Art Noveau, que é impossível deixar de ver neste local.

A figura que domina o monumento é a de Jan Huss, um pensador e reformador religioso. Iniciou um movimento que viria a ser o hussismo, com forts críticas à igreja católica. Foi excomungado e queimado vivo na fogueira. No monumento Huss encontra-se em pé a dirigir o olhar para a Igreja de Nossa Senhora de Týn. Na época em que ele viveu esta igreja tornar-se hussita.

É possível ver também na estátua grupos de pessoas, lutadores e do lado oposto outros de pessoas humilhadas, representando as pessoas que tiveram de ir para o exílio na Batalha da Montanha Branca. Esta obra foi terminada no ano de 1915.

Monumento a Jan Hus

Monumento a Jan Hus

O relógio astronómico de Praga

O relógio astronómico de Praga

Praga é a capital da República Checa e na minha opinião, uma das mais belas cidades da Europa. Visitei no mês passado e adorei. Tenho a certeza de que irei voltar.

O centro histórico é lindo, com edifícios excepcionais, um castelo imponente e uma ponte que é uma das mais famosas do mundo. Todo o centro histórico é Património UNESCO.

O relógio astronómico

Localização do relógio

Na cidade de Praga existem 2 margens, que são divididas pelo rio Vltava:

  • De um lado Malá Strana (cidade pequena) e Hradcany – É na cidade pequena que se localiza o Castelo;
  • Na outra margem: Staré Mesto (cidade velha), Nové Mesto (cidade nova), Josefov (bairro judeu) e Vysehrad.

Na fachada da antiga Câmara Municipal, localizada no coração da cidade velha, encontramos um dos pontos mais emblemáticos de Praga. É o relógio astronómico, um dos mais antigos e elaborados do mundo. Além de marcar as horas, também indica as fases da lua e o movimento das estrelas… É um monumento à observação dos céus.

Aliás, a função principal do relógio astronómico era descrever o movimento dos corpos celestes, mostrando que o tempo era apenas um elemento secundário…

Passei lá várias vezes e a quantidade de turistas a observar e fotografar é inacreditável. Desde junho de 2017 que este edifício se encontra em reparação, estando encerrado o acesso interior ao público e parcialmente tapado o seu exterior. Vai ver isso nas fotografias deste artigo.

Se estiver a pensar ir a Praga, faça-o de preferência só para o ano. As obras terminam no final de 2017.

A construção do relógio

O edifício da Câmara Municipal foi criado no ano de 1338 e tinha como objetivo inicial ser a sede da administração da cidade velha. Alguns anos mais tarde, foi adicionada uma torre a sul e em 1410 foi instalada na sua fachada o relógio astronómico.

Esta obra-prima foi realizada pelo relojoeiro real Mikuláš de Kadaň e aperfeiçoada no final do século XV pelo mestre Hanuš de Růže. Existe uma lenda que indica que foi Hanuš que construiu o relógio, mas isto não é verdade. A lenda diz também que para o mestre não tornar a fazer outro relógio igual, os conselheiros de Praga mandaram-no cegar. Mas como vingança Hanuš parou o relógio…

Na realidade o relógio astronómico de facto parou, mas foi bem mais tarde , já no século XIX. O seu mecanismo foi reparado pelo seu relojoeiro Ludvík Hainz.

Praga era constituida por 4 cidades que no século XVIII se uniram e a Câmara Municipal tornou-se a sede de toda a cidade. Nesta altura existiu uma proposta para remover o relógio da fachada da torre, mas felizmente não foi aceite.

Desde então têm sido realizadas várias ações de melhoria no relógio, no sentido de o preservar e melhorar alguns mecanismos. Interessante saber que apesar de o relógio já ter vários séculos, ainda há partes que são as originais…

As 3 partes do relógio astronómico

Parte 1 – Os 12 apóstolos

No topo encontram-se 12 estatuetas mecânicas que representam os 12 apóstolos. Estas imagens foram acrescentadas no século XVII ao relógio. Durante o incêndio de 1945 as estatuetas foram destruídas, tendo sido substituídas por estátuas de madeira feitas por Vojtěch Sucharda 3 anos mais tarde.

À hora certa, entre as 9h e as 23h, pode ver um desfile das estatuetas nas 2 pequenas janelas sob o telhado. Vai reconhecer cada um dos apóstolos porque têm um atributo que os identifica.

Além dos apóstolos à hora certa também outras estatuetas “ganham vida” O esqueleto, que tem uma ampulheta na mão que mede o tempo, puxa a corda e dá início ao desfile. Acena a cabeça ao turco, que simboliza a extravagância. O turco recusa.

O avarento mexe a cabeça e sacode a sua bengala e bolsa, em sinal de ameaça, enquanto mesmo ao seu lado a estátua que representa a vaidade olha-se ao espelho. Estas figuras são símbolos da sociedade medieval de Praga.

Quando o galo canta, todos os movimentos são finalizados e o relógio astronómico adormece mais uma hora.

Parte 2 – O mostrador astronómico

O relógio astronómico tem mais de 600 anos e é único no mundo. No astrolábio podemos obter diversa informação. O astrolábio é um instrumento astronómico utilizado para determinar a hora local, assim como a posição do sol, da lua e das estrelas. Esta era a percepção medieval do universo.

O que existe na torre da antiga Câmara Municipal de Praga é um enorme círculo com 2 discos círculares mantidos juntos no centro. A parte superior representa o dia e a inferior a noite. Na parte inferior podemos ver com 2 cores o nascer e o pôr do sol, à esquerda e direita respetivamente. Basta olhar para a localização do sol e confirmamos qual a altura do dia em que estamos!

Ao observar o astrolábio atentamente podemos também saber:

  • Hora da antiga Boémia – os números góticos indicam as horas que passaram desde o pôr-do-sol, que era o início do novo dia;
  • Hora da Babilónia –os números árabes medem as horas entre o nascer e o pôr-do-sol, pelo que os dias no verão e no inverno têm durações diferentes;
  • Hora da Europa Central ou Hora antiga Alemã – a mão dourada indica a hora que é utilizada por todos nós. O dia começa à meia noite;
  • Hora das estrelas – é mostrado no mostrador numeral romano e deriva do movimento das estrelas;
  • Nascer e pôr-do-sol – a localização do sol nas 3 regiões de cores diferentes indica se é dia ou noite. Os momentos do nascer e pôr-do-sol ocorrem nos limites das cores;
  • Signos do zodíaco – marcado pelos 12 símbolos do zodíaco;
  • Posição e fases da lua- uma bola viaja através do mostrador, realizando uma volta de 29 dias e meio (mês lunar) e mudando o seu aspeto de acordo com as fases da lua;
  • Declinação do sol – pela posição do sol nos círculos dourados, que representam o trópico de câncer, de capricórnio e o equador;
  • Equinócio e solstício – pela posição da luz do sol nas barras que ligam o anel do zodíaco ao relógio.

Parte 3 – Mostrador do calendário

Esta é a parte mais nova do relógio astronómico, tendo sido acrescentada ao relógio astronómico no século XIX.

A parte mais importante é o cisiojanus, o dispositivo mnemónico utilizado para lembrar as festas mais importantes. Esta informação encontra-se no anel mais exterior. O principal responsável por este dispositivo foi Karel Jaromír Erben, um historiador, poeta e escritor checo.

No mostrador do calendário existe também informação dos signos do zodíaco e dos dias e meses do ano. Para verificar a data atual é só consultar o que está no topo.

Além do símbolo da cidade velha encontramos também as estátuas do filósofo, arcanjo Miguel, astrónomo e do cronista.

Mostrador do calendário

 

O castelo de Praga

O castelo de Praga

Numa visita a Praga o seu castelo é algo absolutamente incontornável. Vai vê-lo quando atravessar a ponte Carlos, a mais antiga e famosa da cidade. Recomendo também que não fique só por aqui e que dedique algum tempo (uma manhã ou tarde) para uma visita ao seu interior.

O castelo é um símbolo super importante não só de Praga mas de toda a República Checa. É a sede do poder político e religioso, tendo sido residência da família real da Boémia e do Bispo de Praga e da presidência da república a partir de 1918. É o maior complexo de castelos do mundo, de acordo com o Guiness Book of World Records, ocupando uma área de 70.000 m2. É também Património Mundial da UNESCO.

Na minha opinião são 2 razões fortíssimas para pensar ir (ou regressar) brevemente a Praga 🙂

Qual a história do castelo?

O castelo de Praga foi fundado aproximadamente no ano de 880 pelo príncipe Bořivoj, o 1º Duque da Boémia. Este príncipe foi o 1º elemento real da Dinastia Přemyslid, que governou a Boémia durante 400 anos, até ao ano de 1306.

Bořivoj pretendeu estabelecer-se num sitio com uma localização mais vantajosa, no topo de uma colina, junto ao rio Vltava. E assim começou o enorme complexo que vemos hoje.

A 1ª construção de todas foi uma fortaleza de madeira e mais tarde é foram construidas edifícios de pedra. A Igreja de Santa Maria, que já não existe atualmente (apenas algumas ruínas) e a Basílica de São Jorge foram as primeiras.

Ao longo dos anos, por inicitiava dos sucessivos monarcas foram construídas várias igrejas e outros edifícios. No século XIV, por iniciativa do Imperador Carlos IV, a aparência do castelo sofreu algumas alterações. Este Imperador é o que deu nome à ponte mais antiga e famosa de Praga. Na sua época foi iniciada a construção da Catedral de S. Vito e ocorreram algumas alterações nas fortificações do castelo e no palácio. A família real passou a residir no castelo.

Até ao dia de hoje muitas alterações ocorreram, pelo contexto de diferentes reis e imperadores, pelos estilos que se encontravam em voga numa determinada altura, pelo incêndio de 1541 ou pelos vários conflitos armados ocorridos. De tantos acontecimentos decorridos nos séculos resultou um complexo com edifícios de estilo totalmente diferente.

O que podemos visitar?

No interior do castelo existem vários palácios, edifícios eclesiásticos, escritórios de vários estilos arquitetónicos, construídos ao longo de vários séculos. De seguida vou falar um pouco mais daqueles locais que poderão ser considerados “obrigatórios”.

Antigo Palácio Real

A área subterrânea é a mais antiga de todo o complexo. O Palácio foi morada de príncipes e reis da Boémia até ao século XVI, tendo sido construído sob as ruínas de um Palácio Romanesco, obra do príncipe Soběslav.

Existem vários pontos de interesse, mas é de destacar o Vladislav hall. É uma enorme divisão que foi feita entre 1492 e 1502 por Vladislav, que lhe deu o nome. É um espaço enorme com janelas de 5 metros de altura, piso de madeira do século XVIII e candelabros de lata (apenas 3 dos 5 são de lata).

O Vladislav Hall já foi utilizado para a realização de vários eventos, tais como banquetes,corações, assembleias ou torneios. Atualmente o salão é utilizado para cerimónias de estado e eleições presidenciais.

Igualmente de destacar no antigo Palácio Real é a Igreja de todos os Santos. Foi construída por Petr Parler no local onde se encontrava uma igreja Romanesca, igualmente consagrada a todos os Santos. Esta Igreja encontrava-se decorada à semelhança de Sainte Chapelle de Paris, até ter sido parcialmente destruída no incêndio de 1541.

Catedral de S. Vito

A Catedral de S. Vito é a maior e a mais importante igreja de Praga e da República Checa. Foi fundada em 1344 e demorou 600 anos a ser construída. Foi aqui que santos, príncipes e reis foram enterrados.

No seu interior encontra-se o braço de S. Vito e as jóias da coroa. Se tiver interesse espreite o tesouro da catedral, é o maior do país e um dos mais importantes da Europa. Mas o ponto alto é a belíssima Capela dedicada a S. Venceslau, o santo patrono do país. Foi criada no século XIV por Carlos IV e é um espaço muito conhecido pela sua decoração.

Do alto da torre sul da Catedral, com quase 100 metros de altura, vai conseguir ter uma panorâmica extraordinária de Praga. Vale bem a pena subir os 287 degraus!

A construção desta torre teve início no século XIV e terminou 3 séculos mais tarde. Nela encontram-se vários sinos, sendo um deles o maior de toda a República Checa. É designado por Zikmund e pesa 15 toneladas.

Diz a lenda que quando o Imperador Carlos IV morreu os sinos começaram a tocar sozinhos. Outra lenda diz também que se o coração do Zikmund se partir alguma coisa muita má irá ocorrer no país. Já aconteceu uma vez, no no de 2002 e algumas semanas depois ocorreram indundações no país…

Pormenor do exterior da Catedral de S. Vito

Catedral de S. Vito

Basílica de S. Jorge

A Basílica de S. Jorge é a 2ª igreja mais antiga de Praga, tendo sido fundada por volta do ano 920. É facilmente reconhecida pelos 2 campanários de 41 metros de pedra branca.

Começou por ser um convento de freiras beneditinas, mas graças aos estragos provocados por um incêndio o edifício teve de ser reconstruído. O que vemos atualmente numa visita são paredes muito antigas e uma rica coleção de arte gótica e barroca.

Se tiver disponibilidade assista a um concerto de música nesta Basílica. A acústica é incrível!

Rua do Ouro

A Rua do Ouro (Golden Lane) é uma pequena rua com várias pequenas casas coloridas, muito bonitas. Foi uma das coisas que mais gostei em todo o complexo.

Foram construídas no fim do século XVI para habitação dos atiradores que guardavam o castelo. Ao todo eram 24 e como havia falta de espaço tiveram de ser construídas casas muito pequenas. O Imperador proibiu que existissem janelas para o Deer Moat e que as casas fossem vendidas ou alugadas.

Ao longo dos anos algumas casas foram destruídas e os atiradores já não eram necessários. A rua foi então ocupada por pessoas com outras profissões. No nº 22 morou o famoso escritor Franz Kafka e no nº 14 uma adivinha chamada Madame de Thebes que previu a queda do nazismo e foi presa (e morta) por isso.

O nome da rua teve origem na altura em que as casas foram ocupadas por ourives.

Torre Mihulka

A Torre Mihulka é a maior das torres de canhão. Foi construída no século XV e fazia parte das novas fortificações do castelo.

Já serviu de laboratório de alquimia, armazém de pólvora, calabouço e atualmente no seu interior encontra-se uma expoição permanente sobre a Guarda do castelo. A torre já teve vários nomes e o de Mihulka surgiu apenas do século XIX, devido à existência de pólvora no seu interior.

Palácio Rosenberg

O Palácio Rosenberg começou no século XVI, por ser um edifício renascentista que pertencia à família com o mesmo nome. Mais tarde foi reconstruído em estilo barroco e utilizado como Institrtuto de mulheres que pertenciam a famílias nobres. Aqui foram educadas 30 raparigas nobres, que por diversas razões ficaram pobres.

Desde o ano de 1919 que o Palácio se encontra ocupado por escritórios do governo.

 

Numa visita ao Palácio Rosenberg vai visitar a capela, o salão e uma exposição onde pode ficar a conhecer um pouco melhor o Instituto.

Para saber mais acerca de tantos séculos de história do complexo, aconselho a visitar as exposições permamentes sobre a história do castelo e a galeria de arte europeia (pintura) entre os séculos XV e XVIII.

Se for no verão, como eu, ainda pode visitar os jardins e uma enorme ravina designada de Stag Moat.

Num dia perfeito, comece por atravessar a magnífica ponte Carlos e suba até ao castelo. Demore-se a ver a vista e entre. Reserve umas horas para ver tudo com calma. Isto é Praga…

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