Wandering life

Wandering life

Foi uma enorme aprendizagem ter este blog, Viajar pela história, ao longo de estes quase dois anos.

Percebi que realmente adoro escrever sobre viagens e que é isto que pretendo fazer com a minha vida. Viajar e a escrever sobre tudo o que vejo. Partilhar. Inspirar a viajar melhor.

Mas senti que necessitava de crescer, de mudar. A forma de escrita vai-se manter, mas o aspeto e o nome do blog vão mudar. A partir de agora vão puder acompanhar-me no Wandering life. Este formato vai-me permitir concretizar outras ideias e objetivos, que espero concretizar mais ou menos a médio prazo.

Já se encontra online o novo blog. Vou continuar a escrever em português e inglês.

Digam-me se gostam 🙂

O que fazer em Palm Springs

O que fazer em Palm Springs

Palm Springs

O estado da Califórnia localiza-se no extremo oeste dos Estados Unidos da America (EUA) e é um dos maiores e mais populosos. O seu nickname é Golden State (cada um dos estados americanos tem um), dada a descoberta de ouro no rio Sacramento no ano de 1848. Nos meses seguintes milhares de pessoas deslocaram-se até lá com a esperança de se tornarem ricos. Este acontecimento foi um dos que acabou por definir toda a história dos EUA e do próprio estado (foi cedido pelo México aos EUA também no ano de 1848).

Na zona sul da Califórnia, onde predomina o deserto, encontramos um oásis de luxo chamado Palm Springs, que tem já cerca de 2000 anos de história. Localiza-se numa imensa planície quase toda rodeada de montanhas.O seu clima é desértico, existindo sol quase todo o ano e pouca precipitação, o que torna este local muito procurado para visitar e para morar. É uma cidade elegante, com ruas quase sempre retas e com imensas palmeiras. Para sentir o clima de luxo que se vive na cidade, pode ficar alojado numa das maravilhosas villas que por lá existem.

Este oásis, relativamente próximo de Hollywood, é um refúgio perfeito para celebridades, tais como Frank Sinatra, Marilyn Monroe ou Leonardo DiCaprio. Os nomes das ruas adoptaram o nome de muitos desses famosos, existindo por isso ruas como a Frank Sinatra Drive ou a Elvis Honeymoon Hideway. Sim, foi aqui que ele passou a sua lua-de-mel!

Com a descoberta e desenvolvimento de Palm springs, vários arquitetos construiram casas modernas, inspiradas no ambiente de deserto da cidade. Atualmente existem 75 edificações do que é designado de modernismo do deserto. É um deslumbre.

Vale muito a pena visitar este oásis do deserto californiano… Em qualquer altura do ano.

O que fazer

Aerial Tramway e San Jacinto State Park

A principal atração de Palm Springs é o Aerial Tramway, que sobe ao Monte San Jacinto. Este teleférico rotativo permite realizar uma calma viagem de 4 kilómetros que dura cerca de 10 minutos. A paisagem durante o percurso é sublime. O teleférico permite ter uma panorama a 360ºC para Cachoella Valley.

Foi o engenheiro Francis Crocker que em 1935 teve a ideia de construir algo que possibilitasse sair do calor de Palm springs e chegar rapidamente ao clima fresco das montanhas. E assim sendo alguns anos mais tarde (em 1963) e após 26 meses de construção, foi inuagurado o maior teleférico rotativo do mundo.

Mas além da paisagem de tirar o fôlego que podemos contemplar no percurso, e a que existe quando o teleférico nos deixa a 2500 metros de altitude, uma outra forte razão para fazer este percurso é o San Jacinto State Park. Este é um parque com aproximadamente 5700 hectares, 86 km de trilhas, área de merendas, zonas para acampar e vários espaços para atividades de inverno. Neste parque passa um dos mais famosos percursos, o Pacific Crest Trail, que se estende desde a fronteira dos EUA com o México até ao Canadá, paralelamente à costa com o oceano pacífico.

Coachella Valley Preserve

Palm Springs encontra-se inserida no Coachella Valley, sendo a principal cidade desta área protegida que se estende por 72 km. Anualmente ocorre neste vale o Cachoella Valley Music and Arts Festival, um dos mais importantes do mundo.

Das várias atrações deste vale a que se destaca é a Coachella Valley Preserve,a casa de um lagarto único no mundo. A reserva tem mais de 6000 hectares e localiza-se a 27 kilómetros de Palm Springs. Além do pequeno réptil, na reserva existe um magnífico oásis com 1000 palmeiras, várias trilhas para realizar percursos a pé e locais para merendas.

Joshua Tree National Park

A uma distância de 50 minutos de Palm Springs, encontra-se o Joshua Tree National Park. Nesta área desértica existe um cacto designado Joshua, que é praticamente exclusivo deste local e ainda muitos outros tipos de plantas.

O parque tem quase 324000 hectares e abrange dois desertos, sendo possível encontrar uma enorme diversidade de animais e plantas, além da mais conhecida e que lhe dá nome. É um local fantástico para caminhar, fazer escalada, observar pássaros ou andar de bicicleta.

Indians Canyon

Os Indian Canyons são uma região sagrada para os antigos indígenas de Palm Springs, os Índios Cahuilla. Este povo estabeleceu-se neste local com maravilhosas palmeiras e formações rochosas imponentes, água abundante e várias plantas e animais há séculos atrás. Ainda é possível observar as ruínas da sociedade indígena e da sua forma de vida.

Nesta região existem quase 100 kilómetros de trilhas, com diferentes graus de dificuldade, o que possibilita que qualquer visitante possa fazer pelo menos um percurso. A beleza natural e o interesse histórico são boas razões para uma visita.

Art Museum

Palm Springs é conhecido por ser um destino elegante, mais procurado para ter férias de luxo, jogar golf e apanhar sol na piscina quase todo o ano. Mas nesta cidade podemos também encontrar museus fantásticos, dedicados a temas bem diferentes uns dos outros.

O que destaco é o Art Museum, que foi inaugurado em 1938 focado no ambiente do deserto e nos nativos da região. Atualmente dedica-se de igual forma à cultura indígena e à arte contemporânea. Para os amantes de arte é um local imperdível. No Teatro Annenberg que se encontra inserido no edifício decorrem vários espetáculos de música ou teatro.

Mais recentemente abriu o Art Museum Palm Desert, a cerca de 20 km do de Palm Springs.

VillageFest e Palm Canyon Drive

A Palm Canyon Drive é a principal artéria de downtown e onde se localizam inúmeros museus, vários tipos de restaurantes e lojas. É por isso uma boa forma de começar a explorar Palm Springs.

Todas as quintas-feiras à noite é nesta rua que ocorre o VillageFest, um evento que recebe milhares de pessoas. Após Palm Canyon Drive encerrar ao trânsito, são montadas dezenas de bancas de ambos os lados da rua. É vendida comida, peças de artesanato e realizam-se vários tipos de espetáculos de entertenimento nesta magnífica feira de rua.

Edifícios do Modernismo do deserto (House of Tomorrow)

É na cidade de Palm Springs onde se encontra a maior parte da arquitetura e design moderno do meio do século. Cerca de dez arquitetos visionários deram origem ao movimento que é atualmente designado de Modernismo do Deserto. Em 2006 Palm Springs foi nomeada como um destino de turismo cultural para arquitetura e atualmente existem várias organizações dedicadas em exclusivo a esse tema.

Para conhecer melhor este movimento e os edifícios mais importantes, existem passeios que se realizam durante todo o ano.O edifício que se destaca é a House of Tomorrow, construída em 1960 por Robert Alexander para a sua família. Mas o que realmente a tornou famosa foi o facto de Elvis Presley, o rei do Rock and Roll, a ter alugado durante um ano, tempo durante o qual também passou a sua lua-de-mel.

 Walk of stars

No ano de 1992 foi criada em Palm Springs o Walk of Stars, que pretende homenagear as personalidades que viveram na cidade e que de alguma forma tenham contribuido para o seu reconhecimento.

Há estrelas dedicadas a presidentes dos EUA, personalidades mundo do espetáculo e à ação cívica, músicos, entre muitos outros.

Lisboa de Fernando Pessoa

Lisboa de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é considerado por muitos, o maior escritor português dos tempos modernos. Viveu a grande maioria da sua vida na cidade de Lisboa, sendo ainda possível encontrar muito dele na capital portuguesa.

A sua cidade é também muito minha, pois já aqui vivo há muitos anos. Conheço-a bem, depois de percorrer tantas vezes as suas ruas, mas há sempre pormenores e perspetivas que nos escapam. Há algum tempo resolvi “olhar” a cidade pelos olhos de Fernando Pessoa. Não passei em nenhuma rua que ainda não tivesse ido, mas vi e vivi Lisboa de uma outra forma.

Imaginei aquele homem magro, reservado, com roupa cinzenta, de cigarro na mão, óculos e chapéu na cabeça, a caminhar nas ruas, pensando nas próximas palavras a colocar no papel. Fui ver onde nasceu, onde morou, onde se encontrava com amigos para beber um café ou onde estava sozinho com os seus pensamentos. Onde conheceu o seu amor e onde acabou os seus dias.

É este passeio que convido a fazer. Espero que goste de ver Lisboa de uma outra forma.

Primeiros anos (até aos 7 anos)

A história do escritor começou a 13 de junho do ano de 1888. Foi nessa 5ª feira à tarde, que no 4º esquerdo do nº4 do Largo de São Carlos nasceu Fernando António Nogueira Pessoa. No coração de Lisboa, na zona do Chiado, mesmo em frente ao Teatro Nacional de S. Carlos. No prédio onde nasceu encontra-se atualmente uma placa comemorativa do seu nascimento.

Prédio onde Fernando Pessoa nasceu

Prédio onde Fernando Pessoa nasceu

Placa comemorativa do nascimento de Fernando Pessoa

Placa comemorativa do nascimento de Fernando Pessoa

A mãe era açoriana e chamava-se Maria Madalena Pinheiro Nogueira, o pai lisboeta era Joaquim de Seabra Pessoa. Batizaram o seu filho com um mês de idade na Basílica dos Mártires, no Chiado, não muito longe do seu local de nascimento.

Interior da Basílica dos Mártires

Interior da Basílica dos Mártires

O pai Joaquim morreu com tuberculose, quando Fernando Pessoa tinha cinco anos. A família mudou-se para um apartamento localizado na R. De S. Marçal nº104 3. Foi nesta casa que Pessoa terá escrito a sua primeira quadra. Tinha então sete anos. A quadra tem o nome de “À minha querida mamã”.

Pouco depois de enviuvar, a mãe casou com o comandante João Miguel Rosa, que pouco tempo antes tinha sido nomeado cônsul de Portugal em Durban, uma colónia britânica na África do Sul. Logo após o casamento toda a família mudou-se para Durban, onde passou nove anos.

Onde ir

  • Largo de S. Carlos nº4 º 4º esquerdo – onde nasceu;
  • Basilica dos Mártires – onde foi batizado;
  • R. de S. Marçal nº104 3º – onde viveu após a morte do pai.

 

África do Sul (dos 8 aos 17 anos)

Fernando Pessoa chegou com a família a Durban, na África do Sul, com oito anos. Aqui frequentou um colégio onde fez em três anos o equivalente a cinco. Cedo se revelou um estudante brilhante.

Regressou a Lisboa para umas férias de uns meses, tendo alguns meses depois regressado à Africa do Sul. Entrou na universidade onde escreveu o melhor ensaio em inglês do exame de entre 899 candidatos…

O regresso definitivo à capital portuguesa ocorreu no ano de 1905, no ano em que Pessoa tinha 17 anos.

Regresso a Lisboa (17 aos 47 anos)

Fernando Pessoa regressou sozinho a Lisboa. Tinha então 17 anos. Frequentou durante dois anos o curso de letras e trabalhou alguns meses como estagiário na R.G. Dun, uma agência internacional de informações comerciais. Com 21 anos montou a “Empresa íbis – Tipográfica e Editora”, mas cerca de um ano depois foi extinta.

Entre os seus 25 e os 35 anos trabalhou em cerca de dez escritórios, sempre no centro de Lisboa. Foi secretário, tradutor e correspondente comercial. Nunca teve dificuldade em arranjar trabalho, uma vez que escrevia e falava muito bem inglês. Em alguns desses locais escreveu excertos dos seus livros. No escritório da R. da Assunção nº42 2º conheceu Ofélia Queirós, o único amor que se lhe conhece. Trocaram inúmeras cartas de amor, mas nunca chegaram a casar.

Prédio onde Fernando Pessoa conheceu Ofélia Queirós

Prédio onde Fernando Pessoa conheceu Ofélia Queirós

Ao longos dos anos em que viveu na sua cidade natal viveu muito a cidade. Morava, trabalhava, escrevia e deambulava sempre por Lisboa.

Destaco duas das suas muitas moradas:

  • Largo do Carmo 18-20 1º – foi neste quarto alugado onde traduziu obras inglesas e espanholas para português, para a Biblioteca Internacional de Obras Célebres;
  • R. Coelho da Rocha nº16 1º – foi a sua última residência. Atualmente é a Casa Fernando Pessoa.
Prédio onde Fernando Pessoa morou (Largo do Carmo)

Prédio onde Fernando Pessoa morou (Largo do Carmo)

Pessoa frequentou imensos cafés e restaurantes lisboetas, com amigos ou muitas das vezes sozinho, uma vez que era muito reservado. Ia muito à Brasileira do Rossio e do Chiado, ao Martinho da Arcada ou à taberna do Abel Pereira da Fonseca. Todos estes locais ainda existem e são fantásticos, em especial a Brasileira do Chiado. É o meu preferido.

Um local que já não existe e onde Pessoa numa época tinha por hábito almoçar diariamente era o Restaurante Pessoa, na R. dos Douradores nº190.

Brasileira do Chiado

A Brasileira do Chiado é um café emblemático de Lisboa, que foi inaugurado em 1905. Era neste espaço que figuras como Pessoa ou Almada Negreiros se reuniam de forma regular e realizavam tertúlias. Localiza-se no largo do Chiado, no coração de Lisboa.

Como homenagem ao poeta, por ser um frequentador assíduo da Brasileira, nos anos 80 foi colocada uma estátua sua, na zona da esplanada.

Estátua de bronze na esplanada da Brasileira

Estátua de bronze na esplanada da Brasileira

 

Martinho da Arcada

Este é o café mais antigo de Lisboa e localiza-se no Praça do Comércio nº 3 (também conhecido como Terreiro do Paço), junto ao rio Tejo. Foi inaugurado em 1872 por Marquês de Pombal com o nome de “Casa da Neve” e só em 1845 obteve a designação atual.

Pessoa era uma das grandes figuras que frequentava o Martinho da Arcada. Nos últimos anos da sua vida este café era a sua segunda casa, dado o número de horas que aqui passava. A mesa que habitualmente frequentava encontra-se exatamente da mesma forma como na sua altura. Esteve lá sentado a escrever um café dois dias antes de morrer.

Mesa habitual (sem toalha) no Martinho da Arcada

Mesa habitual (sem toalha) no Martinho da Arcada

Taberna de Abel Pereira da Fonseca

Pessoa numa altura da sua vida tinha por hábito ir ao “Abel” para tomar um cálice de aguardente. O “Abel” era uma taberna do empresário Abel Pereira da Fonseca. Atualmente tem o nome de Licorista – O Bacalhoeiro.

No interior deste espaço encontra-se ainda hoje uma imagem do escritor ao balcão, a beber um copo de vinho. A legenda da imagem foi escrita por Ofélia e diz: Flagrante delitro”.

 

A vida de Pessoa terminou aos 47 anos. Foi internado no Hospital de S. Luís dos Franceses, na R. Luz Soriano nº 182 e enterrado no Cemitério dos Prazeres. 50 anos depois os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos.

Onde ir

  • R. da Assunção nº42 2º – escritório onde conheceu Ofélia Queirós, a sua única namorada;
  • Largo do Carmo nº18-20 1º– onde viveu;
  • Coelho da Rocha nº16 1º– a sua última morada e atualmente a Casa Fernando Pessoa;
  • Brasileira do Chiado – café que frequentava e onde na esplanada se encontra uma estátua sua;
  • Martinho da Arcada – café que frequentava e onde existe a mesa onde ficava exatamente conservada tal e qual como era nessa altura;
  • Licorista – O Bacalhoeiro – local onde ia regularmente. Aqui encontra-se a famosa imagem do “Flagrante delitro”

 

Uma tarde de domingo na Lx Factory

Uma tarde de domingo na Lx Factory

Lx Factory

No último domingo à tarde fui passear à Lx Factory. É um espaço da capital portuguesa, renovado há poucos anos e fica já muito próximo do rio, na zona de Alcântara. Esta zona é já um pouco afastada do centro de Lisboa, mas existem carreiras regulares e comboio que nos podem deixar lá muito perto. Ao chegar é preciso procurar com atenção um portão de ferro, uma vez que é uma entrada muito discreta.

Na Lx Factory sente-se uma boa energia, devido a uma mistura de factores. Tem um ar abandonado e decandente, as lojas e escritórios são super originais e irreverentes e as pessoas que por lá andam parecem ser muito interessantes. Todo este ambiente é ainda melhor ao domingo.

Neste dia da semana realiza-se o Lx Market, entre as 11 e as 20h. Algumas das ruas enchem-se de bancas com vendedores portugueses e outros estrangeiros. É vendida roupa, joalharia, fruta e legumes, sumos e bebidas alcóolicas, produtos naturais e de decoração. Mas mesmo que não vá comprar nada vale a pena fazer parte deste mercado.

O que era a Lx Factory?

Ao percorrer as ruas da Lx Factory vai perceber que este espaço era uma zona fabril. Foi no ano de 1849 que a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense foi ali inaugurada. Era uma das maiores fábricas de Lisboa na época.

A Companhia já existia desde 1838 mas a instalação em Alcântara ocorreu com o objetivo de juntar todos os edifícios relacionados com a atividade, que se encontravam dispersos. O responsável pelo projeto foi o arquiteto português João Pires da Fonte.

O primeiro edifício fabril a ser inaugurado tinha 4 andares, uma chaminé enorme e uma máquina de vapor no seu interior, que permitia realizar a fiação e a tecelagem. Nos anos seguintes foram construídos mais 5 edifícios e em toda a instalação chegaram a existir 300 teares, provenientes de Inglaterra. Foram os tempos aúreos da atividade.

Imagina a quantidade de pessoas que trabalhavam na fábrica? Tendo em vista albergar os trabalhadores e as suas famiílias a Companhia foi responsável por construir muito próximo instalação fabril, uma vila operária. Se a quiser ver dirija-se à Rua 1º de maio. E já agora, para lhe deixar alguma curiosidade, acrescento que existem muitos outras vilas operárias em Lisboa, se bem que da rua 1º de maio foi a primeira de todas.

Depois de gozar de algum prestígio, a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense começou a ter problemas (provocados pela implementação da República em Portugal) e acabou por se dissolver. Os edifícios fabris foram vendidos, primeiro à Companhia Industrial de Portugal e Colónias e seguidamente à tipografia Anuário Comercial de Portugal e Gráfica de Mirandela.

A atividade industrial foi gradualmente diminuindo em Lisboa e o espaço ocupado pela fábrica foi-se degradando. E assim sendo, este espaço enorme e 23000m2, permaneceu escondido em Lisboa.

O que é a Lx Factory

Foi em 2008 que nasceu o projeto Lx Factory. É uma ilha onde se respira criatividade e inspiração. A fábrica obsoleta ressuscitou e atualmente é um foco cultural obrigatório para quem visita (ou vive em) Lisboa.

Frase escrita numa parede da Lx Factory

Frase escrita numa parede da Lx Factory

Nas antigas instalações existem agora empresas relacionadas com arquitetura, design, restauração, publicidade, moda, artes plásticas, música, fotografia, assim como alguns restaurantes e cafés, entre outras áreas. É uma lufada de ar fresco ver o que se passa na mente criativa dos portugueses.

Ao domingo além de todo este comércio que referi ainda temos o Lx Market. São tantas bancas de produtos mais ou menos originais, que é um delícia percorrer e quem sabe até comprar. Talvez uns tomates ou figos de Torres Vedras, uma nova pulseira original e única (porque é feita à mão), uma camisola gira ou um azulejo típico de Lisboa para recordar a cidade e o passeio desta tarde.

3 locais onde encontrar Kafka em Praga

3 locais onde encontrar Kafka em Praga

Franz Kafka

Vida

Era uma vez um checo de nome Franz Kafka. Nasceu em Praga a 3 de julho de 1883, na altura em que a República Checa pertencia ao império Austro-Húngaro dos Habsburgos.

Kafka era o mais velho dos seis filhos de um casal de judeus (de expressão alemã), que pertenciam à classe média. Os pais chamavam-se Hermann Kafka e Julie Löwy e tinham um negócio, que os obrigava a estar a maior parte do dia fora de casa e longe dos seus filhos. Este afastamento associado a algum autoritarismo, iria ser determinante na vida (e obra) de Kafka.

O seu percurso académico fez-se sem grandes sobressaltos. Frequentou a escola secundária onde agora é o Palácio Kinský e mais tarde a faculdade de Direito. Após a conclusão do curso ele teve alguns empregos para sobreviver, mas estava sempre insatisfeito. O que gostava mesmo era de se dedicar à literatura.

No ano de 1917 apanhou tuberculose e teve de deixar de trabalhar, sendo obrigado a passar o resto da sua vida em sanatórios e balneários. Kafka pediu que tudo o que tinha escrito fosse queimado. Mas o seu melhor amigo publicou a sua obra após a sua morte. E ainda bem… Se assim não tivesse sido nunca teriamos lido obras primas como O Processo.

Obra

O escritor não foi reconhecido em vida, tendo apenas publicado sete pequenos livros, mas atualmente é considerado um dos mais influentes do século XX.

Kafka (e a sua obra) está intimamente ligado a Praga. Além de lá ter nascido e vivido a maior parte dos seus 41 anos, adorava-a. Numa carta a um amigo escreveu uma vez “Prague doesn’t let go. Of either of us. This old crone has claws. One has to yield, or else. We would have to set fire to it on two sides, at the Vyšehrad and at the Hradčany; then it would be possible for us to get away.”

Tudo o que escreveu encontra-se impregnado do ambiente gótico, sombrio e misterioso de rio que existia em Praga, assim como das marcas do seu passado eslavo e alemão. E por isso visitar a capital checa é de certa forma, visitar Kafka e tentar sentir o ambiente que o envolveu durante tantos anos. Mesmo que Praga tenha mudado um pouco e por consequência o seu ambiente.

Eu li algumas das obras de Kafka e gosto imenso do seu estilo único e caótico. E confesso que a minha vontade de visitar Praga também estava relacionada com este escritor. Por isso quando lá estive quis ver um pouco da cidade em que ele viveu. Não é difícil encontrarmos Kafka em Praga, basta apenas saber para onde olhar. Mas é preciso ter em atenção que Kafka não nomeia explicitamente os locais de Praga. Ele refere-se a eles da forma como os interpreta. É a metamorfose da cidade…

De todos os locais onde fui destaco três sitios que fizeram parte da vida do autor e onde foram construídas obras interessantes, para o homenagear.

Estátua de Kafka

O escritor trabalhou em vários locais na cidade de Praga. Um desses foi uma companhia de seguros na Cidade Nova, onde hoje se encontra o Quadrio Shopping Center.

Como homenagem a Kafka, no ano de 2014 foi construída junto à entrada da área comercial uma escultura gigante designada “K on Sun”. Gostei imenso de ver esta escultura tão original.

Não foi fácil encontrar, tive de perguntar a algumas pessoas na rua e no posto de turismo. Fiquei com a impressão de que não é um local que os habitantes locais conheçam…. Ler as obras de Kafka foi proibido durante muitos anos no país, o que talvez explique que os praguenses não se encontrem muito familiarizados com ele. A Metamorfose, uma das suas mais importantes obras, foi traduzida para checo apenas em 1929.

A estátua é um enorme busto (com 11 metros) espelhado com 42 camadas independentes (que giram) de aço inoxidável. Pesa 45 toneladas e encontra-se quase sempre em movimento. As camadas podem girar em qualquer direção, o que faz com que o busto possa ter aspetos diferentes. É apenas por brevissimos instantes que podemos ver as 42 camadas totalmente alinhadas.

Ao ver esta peça mover-se durante algum tempo, lembrei-me das obras que li e da personalidade complexa e caótica que imagino que Kafka teria e que o terá atormentado.

Estátua de Kafka

Estátua de Kafka

 

Museu Franz Kafka

Kafka mudou várias vezes de habitação, tendo vivido em ambas as margens do rio Vlatava. Um dos locais onde morou foi num apartamento em Mala Strana, num edifício hoje ocupado pela Embaixada Americana.

A cerca de 700 metros desse apartamento encontra-se o museu Franz Kafka, numa antiga fábrica de tijolos, mesmo junto ao rio. Na minha opinião é um ponto obrigatório para quem quer conhecer melhor a vida e obra deste famoso escritor. Para mim foi especialmente interessante ver a letra de Kafka num papel e imaginá-lo a escrever todas aquelas cartas para amigos e amores, assim como todas as obras que já li em livro e que tanto gostei.

A exposição que constitui o museu começou por estar em Barcelona, seguidamente em Nova Iorque e só em 2005 é que se instalou em Praga. É possível dividi-la em duas seções:

  • O espaço existencial – é explicada a forma como Praga influenciou a vida do escritor;
  • A topografia imaginária. é abordada a forma como Kafka via Praga e a transformava na sua imaginação.

No acesso ao museu encontra-se uma peça que faz lembrar um pouco a cabeça de Kafka, até porque foram desenhadas pelo mesmo artista. Ambas as esculturas são constituídas por camadas que se movem de forma independente. A que se encontra no acesso ao museu é constituída por dois homens (com 2,10 metros cada um) em frente um ao outro, a urinar para uma zona no chão que possui o formato da República Checa.

Ambos os homens vão-se mexendo há medida que urinam, tornando a cena incrivelmente real. Na altura não sabia, mas depois de estar em Praga, descobri que é possível enviar mensagem para o número que está exposto junto à escultura e esperar que os homens “escrevam” com a urina o texto que tivermos enviado!

Estátua junto ao Museu Franz Kafka

Estátua junto ao Museu Franz Kafka

Estátua de Franz Kafka

Na proximidade do local onde o pai de Kafka tinha o seu negócio encontra-se desde 2003 uma estátua de bronze. É uma obra em que se vê um homem às cavalitas de um fato vazio, sem ninguém que o vista. Tem 3,75 metros e pesa 800 kg.

É uma daquelas coisas que provavelmente ninguém vai entender muito bem o que significa, num primeiro olhar. Mas quem se lembrar da obra Description of a Struggle vai perceber que a estátua foi inspirada no que foi um dos primeiros contos do escritor.

Estátua de Franz Kafka

Estátua de Franz Kafka

Ao passear por Praga senti que Kafka e a cidade se encontram intimamente relacionados, tal como era a minha expetativa. Tudo o que o escritor era e tudo o que escreveu está impregnado de todo o mistério e misticismo que ainda se consegue imaginar que Praga seria há uns bons anos atrás.

A praça da cidade velha de Praga

A praça da cidade velha de Praga

O centro histórico de Praga é formidável, com edifícios excepcionais, um castelo imponente e uma ponte que é uma das mais famosas do mundo. É Património UNESCO desde 1992.

A área central de Praga é atravessada pelo mais extenso rio do país, o rio Vltava. Tem 435 km, nasce na região da Boémia e desagua a alguns quilómetros a norte da capital checa. O rio divide a Praga em em duas margens.

De um lado encontra-se Malá Strana, onde se localiza o Castelo, e Hradcany. Na outra margem existe Staré Mesto (cidade velha – zona medieval), Nové Mesto (cidade nova), Josefov (bairro judeu) e Vysehrad.

Cidade velha

A praça da cidade velha é a mais antiga e a mais importante do centro histórico de Praga. Começou no século X, como uma área comercial das rotas comerciais europeias. A burguesia financiou esta zona para competir com a Catedral, que se localiza na outra margem do rio.

Aqui existiam padeiros, oleiros, herbalistas, produtores de pão de gengibre e muitos outros artesãos que vendiam o que produziam. Vendiam-se também cogumelos, morangos, bolos, peixe e muitas coisas mais.

Alguns séculos mais tarde, além de importante centro económico, a praça passou a fazer parte do quotidiano dos habitantes, devido ao estabelecimento da Câmara Municipal e da Igreja de Santa Maria de Týn. Acontecimentos trágicos também aqui sucederam, tais como tumultos e execuções. Destaco a execução dos 27 checos que se revoltaram contra a Dinastia dos Habsburgos. Se olhar para o chão da praça vai ver 27 cruzes, em homenagem aos 27 mortos.

A praça já sofreu algumas alterações ao longo dos anos, mas continua a ser um local belíssimo e absolutamente imperdível numa visita a Praga. Este local já testemunhou muitos eventos históricos.

Principais edifícios

Todos os edifícios da praça da cidade velha são extraordinários. De seguida, destaco os que podem ser considerados mais importantes.

Escolha um café simpático e sente-se numa esplanada. Admire longamente todos os edifícios da praça.

Antiga Câmara Municipal

O edifício da Câmara Municipal foi criado no ano de 1338 e tinha como objetivo inicial ser a sede da administração da cidade velha. Alguns anos mais tarde, foi adicionada uma torre a sul e em 1410 foi instalada na sua fachada o relógio astronómico.

Este relógio é um dos pontos mais emblemáticos de Praga. É um dos mais antigos e elaborados do mundo. Além de marcar as horas, também indica as fases da lua e o movimento das estrelas… É um monumento à observação dos céus.

Se tiver curiosidade em saber toda a informação que poderá obter no relógio astronómico leia o artigo que escrevi exclusivamente sobre ele.

Relógio astronómico na antiga Câmara Municipal

Igreja de Nossa Senhora de Týn

A Igreja de Nossa Senhora de Týn é um dos edifícios góticos mais impressionantes de Praga. É facilmente reconhecida pelas suas torres pretas, que têm alturas diferentes.

Foi construída a partir do século XIV no local onde se encontrava um antigo edifício românico, que acolhia comerciantes estrangeiros. Este templo localiza-se ao lado do pátio de Týn, e foi devido a este facto que foi buscar o seu nome. O pátio de Týn era o local onde antigamente eram pagos os impostos das mercadorias que iam ser vendidas em Praga.

Durante muito tempo na Igreja de Nossa Senhora de Týn foi praticado o culto hussista, movimento reformista iniciado por Jan Hus. Desde o século XVIII que é um templo pertencente à igreja católica.

Ao longo dos anos a igreja foi renovada algumas vezes, mas mantem o encanto, por isso o seu interior jutifica muito bem a visita. Pode encontrar o túmulo do famoso astrónomo dinamarquês Tycho de Brahe e o órgão mais antigo de toda a cidade de Praga (1673).

Igreja de Nossa Senhora de Týn

Igreja de S. Nicolau

A Igreja de S. Nicolau era a principal da cidade velha, antes da Igreja de Nossa Senhora de Týn ter sido construída. Foi tomada pelos monges beneditinos no decorrer do movimento da contra-reforma e mais tarde foi reconstruída em estilo barroco.

No interior existe uma fantástica decoração e murais que retratam a vida de S. Nicolau e também de S. Benedito. Impressionante é o candeiro que foi oferecido pelo Czar Nicolau II.

Na Igreja de S. Nicolau podemos assistir a concertos de música clássica, no periodo da noite.

Palácio Kinský

No local onde atualmente se encontra o Palácio Kinský já existiram alguns edifícios muito antigos. O palácio rococó que vemos foi construído no século XVIII, para o conde Jan Arnost Goltz. Após a morte de Goltz o palácio foi adquirido pela proeminente família Kinský, que permaneceu até ao ano de 194. Desde 1949 que ficou sob a administração da Galeria Nacional.

No Palácio Kinský já aconteceram algumas coisas interessantes, de entre as quais:

  • Nasceu a 1ª mulher a ganhar o prémio Nobel da Paz;
  • Foi escola de gramática alemã, tendo como um dos alunos o famoso Frank Kafka;
  • Klement Gottwald discursou da varanda, o que levou a um golpe de estado.

A fachada do palácio é em tons brancos e rosa, destacando-se um pouco dos restantes edifícios da praça.

Palácio Kinský

Casa do Sino de Pedra

A Casa Sino de Pedra é um belíssimo exemplo da arquitetura gótica na cidade de Praga, edificada no século XIII. Acredita-se que tenha sido construída como palácio para a família real, para Elisabeth da Boémia.

Este nome surgiu algum tempo mais tarde devido à existência de um sino de pedra, cuja cópia podemos ver na esquina da casa.

Ocorreram algumas alterações à fachada da Casa mas no século XX fez-se uma tentativa para recuperar a original. É esta que felizmente ainda nos é possivel ver.

Desde 1988 que o interior da Casa é um espaço de exibição de arte, uma livraria e um café.

 Monumento a Jan Hus

Na praça da cidade velha encontra-se um monumento de pedra e bronze realizado pelo escultor checo Ladislav Šaloun. É uma obra interessante da Art Noveau, que é impossível deixar de ver neste local.

A figura que domina o monumento é a de Jan Huss, um pensador e reformador religioso. Iniciou um movimento que viria a ser o hussismo, com forts críticas à igreja católica. Foi excomungado e queimado vivo na fogueira. No monumento Huss encontra-se em pé a dirigir o olhar para a Igreja de Nossa Senhora de Týn. Na época em que ele viveu esta igreja tornar-se hussita.

É possível ver também na estátua grupos de pessoas, lutadores e do lado oposto outros de pessoas humilhadas, representando as pessoas que tiveram de ir para o exílio na Batalha da Montanha Branca. Esta obra foi terminada no ano de 1915.

Monumento a Jan Hus

Monumento a Jan Hus

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