Lisboa Passport

Lisboa Passport

Desde que me lembro de viajar que gosto de guardar algumas coisas. Recordações que me fazem lembrar de uma cidade que visitei, de uma viagem de metro, de um jantar fantástico (ou não) ou de um espetáculo.

Nos dias que correm há cada vez mais registos nas redes sociais, mas para mim, não é a mesma coisa. Puder tocar nos papéis torna a recordação diferente, talvez um pouco mais real…

Página de identificação no Lisboa Passport

Há bem pouco tempo ouvi falar do Lisboa Passport e gostei bastante desta ideia. Eu já tenho o meu e em breve vou começar a carimbar 😉

O que é?

O Lisboa Passport é um diário da viagem à capital portuguesa. Num pequeno livro com pouco mais do que 30 páginas podemos registar tudo aquilo que vimos e que visitámos.

Para mim, só o documento em si já é interessante. Nas páginas podemos ficar a conhecer um pouco mais da história de Lisboa. São 17 marcos que registam eventos como a tomada da cidade aos mouros, a partida de Vasco da Gama para a Índia, o terramoto de 1755 ou a mais recente Expo 98.

Interior do Lisboa Passport

Interior do Lisboa Passport

Também existe uma versão para crianças, exatamente do mesmo tamanho, mas com páginas em branco.

Os carimbos

O objetivo do Lisboa Passport é registar o que vimos, como disse, através de carimbos que estão disponíveis nas principais trações da cidade. Claro que pode (e deve) colocar também todas as suas notas pessoais, como por exemplo, a opinião de um determinado local que visitou.

Outro pormenor bastante interessante são os carimbos. São peças de design feitas de propósito para este diário. Cada um deles vai lembrá-lo do local que viu, não só pelo nome mas pelo desenho.

Atrações a visitar

Neste momento existem cerca de 40 carimbos disponíveis, em 40 atrações turísticas de Lisboa (e arredores). Importa dizer que os carimbos estão disponíveis num local de acesso público, pelo que não precisa de entrar e pagar bilhete ou consumir para carimbar o seu Passport. Ou seja, se quiser ver uma determinada atração de fora apenas também pode ter um registo.

As atrações localizam-se em Lisboa, Queluz, Almada e Sintra. Não são locais muito afastados do centro da capital portuguesa.

Os locais a visitar podem ser:

  • Zonas como Alfama, Rossio, Chiado, Bairro Alto, Avenida da Liberdade, Príncipe Real, Rua Augusta ou Belém;
  • Monumentos como o Castelo de São Jorge, Castelo dos Mouros, Padrão dos Descobrimentos, Sé de Lisboa, Cristo Rei, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém ou o Panteão Nacional;
  • Palácios (Belém, Pena, Sintra, Queluz ou Ajuda);
  • Estádio de futebol (da Luz);
  • Expriências como andar no Elétrico 28, ir à Ginjinha sem rival ou até aos Pastéis de Belém ou ainda ao Hard Rock Café;
  • Museus (Carmo, Calouste Gulbenkian, Oriente, Etnologia, Fado, Campo Pequeno, Marioneta, Santo António, Coches, Arte Antiga, Azulejo, Arqueologia) ou a Casa Fernando Pessoa.

São marcos incontornóveis e em alguns vai passar com toda a certeza.

Como são os banhos árabes em Córdoba

Como são os banhos árabes em Córdoba

A região da Andaluzia esteve ocupada pelos árabes durante várias centenas de anos. Granada foi o último local a ser reconquistado pelos cristãos, já no século XV. Este povo teve por isso uma enorme influência na vida dos andaluzes, em aspetos como alimentação, arquitetura ou língua.

Um legado que também ficou são os banhos árabes. Quando estive em Córdoba fui várias vezes, ao final do dia. Adorei o ambiente e tambem a sensação de relaxamento resultante do contacto com a água a diferentes temperaturas. Na minha opinião, esta experiência faz parte da viagem. Aconselho vivamente!

Um pouco por toda a Andaluzia pode ir aos banhos árabes e não só em Córdoba. Se for a Almeria, Granada, Málaga, Sevilha, Jaén, Cadiz ou Huelva, também existem.

Como surgiram os banhos árabes?

Começaram por existir termas romanas, banhos bizantinos e banhos a vapor. Já antes do século VII era muito apreciado o hábito de ir a banhos.

Quando os árabes ocuparam os locais onde tinham estado os romanos, aproveitaram as instalações dos banhos que já existiam, mas adaptaram-nas a uma versão um pouco diferente.

Eles acabaram por misturar vários aspetos dos banhos que existiam na altura, romanos e não só.

É interessante verificar que muitos dos banhos árabes que existem, encontram-se na proximidade das mesquitas. Como é sabido, antes da oração é obrigatório realizar as abluções, ou seja, a purificação do corpo. A proximidade dos banhos deverá estar relacionada com isso.

Normalmente existe um ponto de água no acesso à mesquita, mas melhor ainda do que isso seria ir aos banhos árabes.

Inicialmente os banhos apenas podiam ser utilizados por homens, só muito mais tarde é que as mulheres tiveram acesso também. Em alguns casos foram definidos horários para o acesso dos diferentes sexos e noutros foram construídas diferentes estruturas para homens e mulheres.

Mas ir aos banhos era muito mais do que lavar o corpo, era um momento social entre os habitantes. Imagino tanta coisa que se falou… política e negócios, por exemplo. Os banhos árabes faziam realmente parte da vida do povo.

Quando os árabes deixaram a Europa os banhos deixaram de ser utilizados. A Igreja não via com bons olhos um local onde era praticado o ócio e a preguiça, começando mesmo a acreditar-se que o banho poderia ser prejudicial à saúde. E assim, as instalações que existiam deixaram de ser utilizadas.

Foi só já quase no século XX, com mais informação (ciência), que se dismistificou a ideia de que os banhos podiam fazer mal. E como resultado dessa mudança de mentalidade surgiram mais banhos árabes. Hoje em dia sabe-se que os banhos são úteis na ativação da circulação sanguínea.

Como são os banhos árabes de Córdoba?

Os banhos árabes são edifícios públicos dividos em várias salas, podendo variar um pouco de acordo com as instalações. Eu vou falar das instalações que conheci na cidade de Córdoba, as maiores da Europa. Encontram-se localizadas muito próximo da mesquita, como é comum.

Estas instalações já foram cenário de filmes, séries e vários eventos culturais, são magnífícas. Por si só já valem a pena a visita.

Em Córdoba os banhos árabes têm 3 salas de água, sendo elas a sala fria com água a 16ºC, a temperada com água a 36ºC e a quente com água a 40ºC. Durante 1h30 podemos andar livremente por estas salas. Existe também a sala de vapor e a de descanso.

Eu nunca tinha ido e por isso não sabia exatamente o que deveria fazer, mas basta andar por lá, experimentar a sensação que gostamos mais e também o que os repetentes costumam fazer.

Área da receção

Sala temperada

 

Como é ir aos banhos árabes?

Depois de vestir o fato de banho vamos para a sala temperarada, para uma piscina a uns agradáveis 36ºC. É aqui onde a grande maioria das pessoas está.

De vez em quando passamos para a sala fria, onde existe chuveiro com água a 16ºc. Cada um vai estar o tempo que quiser debaixo de água, de acordo com a sua sensibilidade. Eu detesto frio por isso era apenas uns segundos!

Seguidamente devemos ir sempre para a piscina de água temperada. A outra hipótese é ir para a sala quente e entrar numa pequena piscina onde existe uma cascata de água a 40ºC. Temos de entrar muito devagar, não é fácil estar dentro de água mais quente do que o interior do nosso corpo. Mais uma vez, assim como no chuveiro de água fria, estamos o tempo que quisermos.

Depois da água quente voltamos sempre para relaxar para a piscina a 36ºC.

Portanto a ideia é estar na zona temperada e de vez em quando ir à sala fria ou à quente. Depois de cada deslocação devemos regressar sempre à zona temperada. Não vamos diretamente da zona fria para a quente.

É extremamente relaxante fazer este circuito várias vezes. O espaço, a decoração, a música, o cheiro, é todo um conjunto de experiências.

Além de tudo isto pode sempre optar por marcar uma massagem. Marque com algum tempo de antecedência para assegurar que existe disponibilidade para os dias que está em Córdoba.

 

As fotos deste artigo foram cedidas gentilmente pelo Hammam Al Andalus.

Uma maravilha chamada Alhambra

Uma maravilha chamada Alhambra

Granada é uma cidade magnífica. Encontra-se na Andaluzia que é uma comunidade autónoma de Espanha, localizada no sul do país. É uma região carismática e na minha opinião, extremamente interessante do ponto de vista paisagístico e histórico.

Toda a região da Andaluzia esteve ocupada pelos árabes durante vários séculos e o último reduto de toda a península ibérica foi Granada. Só em 1492 e depois de vários anos de luta, é que os reis católicos conseguiram reconquistar a cidade aos árabes.

O seu enquadramento paisagístico é perfeito. A cidade fica a cerca de 20 km da Serra Nevada, a 3ª maior cadeia montanhosa da Europa. O pico chega aos 3482 metros. O Alhambra, o monumento mais conhecido e o símbolo de Granada, encontra-se no topo de uma colina de nome al-Sabika, a aproximadamente 700 metros de altitude e tem a Serra Nevada como enquadramento. É perfeito.

A colina localiza-se na margem do rio Darro, a oeste de Granada. Do lado oposto do rio encontram-se os famosos bairros de Albaicin e Alcazaba.

Acredite que a 1ª impressão que vai ter do Alhambra vai ser magnífica, mas o verdadeiro encanto é o interior…. Quase em qualquer altura do ano existem imensas pessoas a querer visitar. Faço como eu, acorde de madrugada e vá para a fila. Vale a pena 😉

O que quer dizer Alhambra?

O nome de Alambra tem origem no árabe “qa,lat al-Hamra”, que significa castelo vermelho. Portanto, o seu nome está relacionado com o facto de as suas paredes serem avermelhadas.

O que é o Alhambra?

O complexo do Alhambra é a cidadela árabe mais espetacular do mundo. É uma cidade com muralhas onde se encontram aposentos reais, imensos jardins, pátios e muitas outras coisas.

 Quem construiu o Alhambra?

As primeiras referências ao Alhambra são do século IX, onde existe referência a uma fortaleza. Mas foi um pouco mais tarde, já no século XIII com a dinastia Nasrida que o Alhambra foi ocupado pela família real. Mohammed ben Al-Hamar foi o 1º rei desta dinastia e foi ele o 1º a ocupar o complexo. E com este evento começou a período glorioso do Alhambra.

Ao longo do tempo outros reis lhe sucederam e foram sendo realizadas alterações ao Alhambra. Mesmo depois de Granada ter sido reconquistada pelos reis cristãos, continou a ser alvo de algumas modificações. Uma parte foi demolida, tendo o espaço sido substituído pelo Palácio Carlos V e surgiram áreas novas como as Câmaras do Imperador e o Vestiário da Rainha.

No século XVIII no decorrer da ocupação francesa, ocorreu uma explosão no Alhambra o que provocou sérios estragos. A partir do século seguinte começaram as ações de recuperação, que continum até aos dias de hoje.

O que podemos ver no Alhambra?

No interior do Alhambra podemos visitar 4 áreas distintas, sendo elas, a Alcazaba, o Palácio Carlos V, o Generalife e o Palácio Nasrid.

1 – Alcazaba

O conjunto formado pela Alcazaba e pelas as torres Bermejas é a parte mais antiga de todo o complexo, sendo do século IX. Esta citadela tinha como objetivo vigiar e controlar a cidade de Granada. As torres Bermejas, que devem o seu nome à cor das suas paredes, pertenciam a um conjunto de torres de vigia, que eram a torre de la Quebrada, del Homenaje e de la Vela.

Estas torres foram as primeiras defesas militares da cidade e uniram-se à Alcabaza algum tempo depois de serem construídas. Foi já enquanto conjunto que se uniram através de uma muralha ao Alhambra.

De toda esta zona, temos uma vista soberba para o restante complexo do Alhambra e para a magnífica cidade de Granada.

Alcazaba

Alcazaba

Alcazaba

Alcazaba

2 – Palácio Carlos V

O Palácio Carlos V é uma das obras mais importantes realizadas na época do Renascimento. O rei de Espanha e imperador da Alemanha, D. Pedro V visitou Espanha no decorrer da sua lua-de-mel. Gostou tanto que escolheu Granada para morar e mandou construir um magnífico palácio no Alhambra para essa finalidade.

O arquiteto responsável pela obra foi Pedro Machuca, que foi formado no meio artítsico de Roma, tendo sido discípulo de Miguel Ângelo. E devido a esta influência criou algo totalmente inovador em Espanha. A particularidade mais interessante é que o palácio tem um fomato redondo no interior, apesar das paredes externas apresentarem um forma quadrada.

Atualmente no Palácio Carlos V existe o museu de Belas Artes e o do Alhambra. Carlos V acabou por nunca conseguir morar no espaço que mandou construir….

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

3 –Generalife

O Generalife era um local de descanso e lazer para os reis e sultões de Granada, assim como a sua área agrícola. O seu nome significa jardim de arquiteto, o que remonta às suas origens, antes de ser património real.

Neste espaço existem 2 edíficos ligados através do Patio de la Acequia, que é um dos locais mais emblemáticos e fotografados de todo o Alhambra. Neste patio existe o canal de irrigação real que encaminha água para os jardins e para todo o complexo.

É pura magia todo conjunto de factores como ambiente, som da água, estilo árabe, luz e plantas.

Generalife

Generalife

Generalife

Generalife

4 – Palácios Nasridas

Os Palácios Nasridas eram a antiga residência dos sultões e são o coração de todo o complexo do Alhambra.

Aqui podemos encontrar algumas construções cristãs (como a sala do Imperador), mas a zona principal e mais famosa é composta por estes 3 palácios:

  • Mexuar ou Meshwar – é a zona mais antiga. Este espaço servia para a realização de reuniões dos ministros do rei e também como tribunal;
  • Comares – era a residência oficial do sultão e é onde se encontra a sala do trono. Tem um belissímo lago;
  • dos Leões – este é o palácio mais emblemático, por ter o pátio central com os leões e o miradouro Daraxa.

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

O mais dificil é entrar nestes palácios, às 6h30 da manhã já eu estava na fila para conseguir entrar! Não há hora marcada para entrar no Alhambra mas nos Palácios Nasridas sim. Mas valeu muito a pena, é uma maravilha. Adorei.

Uma vez li que por vezes o todo é mais do que a soma das partes. O Alhambra é assim

Conhecer Lisboa com um guddy

Conhecer Lisboa com um guddy

Quando viajamos existem várias maneiras de conhecer uma cidade, dependendo de vários factores como o tempo que temos, o dinheiro disponível ou ao que damos mais valor.

Podemos conhecer uma cidade pela sua história, comida, vida noturna, pelo comércio por tantas outras formas.

Na minha opinião, a história de um local que visitamos é essencial para perceber um pouco de tudo o que vemos. O que é um determinado monumento, qual a sua utilidade, razão da sua construção e porque é assim, porque é que os habitantes comem de uma determinada forma, tudo se encontra relacionado com o que já aconteceu.

Tomei conhecimento há bem pouco tempo da Local Guddy. Experimentei e gostei de ver a minha cidade de Lisboa, acompanhado por um guddy. Vamos lá então ficar a conhecer um pouco mais sobre esta empresa. Se quiser saber mais vá a https://www.localguddy.com/

O que é?

A Local Guddy é uma plataforma que faz a ligação entre os habitantes de uma cidade e os viajantes. Um guddy é um habitante de uma cidade que a quer mostrar a quem a vem visitar.

Existem 4 tipos de guddys que de acordo com o que mostram são chamados de local guddy, food walker, pub crawler e hommy chef. São habitantes que mostram os locais, os restaurantes, os bares e que até podem fazer uma refeição na sua casa.

Onde existe?

A Local Guddy existe em mais de 160 cidades espalhadas pelo mundo. Pode ser acompanhado por um guddy em Bangkok, Paris, Nova Iorque ou Buenos Aires.

E em Lisboa, como é?

Em Lisboa existe ainda apenas o guddy local, Miguel M. Ele é o responsável pelo passeio “Classic Lisboa Ride”. É super simpático e conhece bastante bem Lisboa, uma vez que nasceu e cresceu mesmo no centro. Veja aqui: https://www.localguddy.com/tours/325-classic-lisboa-ride

Este passeio é realizado num carro que já pertence à família do Miguel desde 1973, o que por si só já torna o passeio bastante original e com classe. O ponto de encontro é no Principe Real e a partir daqui são 3 horas a percorrer Lisboa. Ao mesmo tempo que vamos passeando pelas ruas e fazendo algumas paragens estratégicas o Miguel explica o que vmos. E para mim, este é o ponto mais interessante deste passeio.

O carro

Pormenor do carro

O carro com a Basílica da Estrela e o elétrico 28

Passamos pelo jardim e miradouro de S. Pedro de Alcântara, pelo Largo das Portas do Sol, pela castiça Graça e paramos no magnífico miradouro da Sra. Do Monte. Este é um dos meus locais farvoritos para ver Lisboa. Adoro.

Largo das Portas do Sol

Seguimos para a antiga Mouraria, para o largo do Martim Moniz e para a lindíssima avenida da Liberdade. No alto da avenida paramos no Parque Eduardo VII e este é um excelente local para se ver a cidade, o rio e a margem sul. Daqui seguimos para as Amoreiras, largo do Rato  jardim da Estrela onde fazemos uma paragem de 20 minutos.

Largo Martim Moniz

A parte final do passeio é a pasagem pelo Parlamento, miradouro de Santa Catarina, Rua da Rosa no incontornável Bairro Alto e regressamos ao ponto de encontro, Principe Real.

Existe também a possibilidade de prolongar um pouco este passeio até à margem sul do rio Tejo, onde podemos conhecer a Costa da Caparica e Almada.

Penso que esta é uma abordagem perfeita para conhecer um pouco melhor a cidade de Lisboa e a partir daí puder explorá-la à sua maneira. Eu experimentei e recomendo. Conheço bem Lisboa mas é sempre um enorme prazer vê-la de outras formas.

 

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4 boas razões para ir a Córdoba

4 boas razões para ir a Córdoba

Córdoba é a cidade dos califas. Encontra-se no coração da região da Andaluzia, junto às águas do rio Guadalquivir, um dos maiores da península ibérica.

Qual o passado de Córdoba?

É uma cidade já muito antiga, existindo indícios de ocupação da zona já em 3200 a.C. A povoação que se foi formando desenvolveu-se graças à exploração de minério (cobre e prata) da Serra Morena e da agricultura.

Mas a cidade de Corduba (como era designada) foi apenas fundada pelos romanos, no ano de 206 a.C. Nesta altura, em que os romanos ocupavam Córdoba, esta foi a capital da província da Bética e a maior cidade de toda a península ibérica.

Contudo não foram estes os anos dourados da cidade. Foi um pouco mais tarde com a chegada dos muçulmanos, que Córdoba se tornou a capital do Al-Andalus. E foi enquanto capital que se iniciou a construção da Grande Mesquita. Quando este monumento acabou de ser construído Córdoba era a maior cidade de toda a Europa.

Nessa época grandiosa muitas pessoas chegavam de outros locais, procurando conhecer as construções que se faziam, falar com o califa ou também uma cura para um problema de saúde. O rei, D. Sancho de León procurou em Córdoba cura para a obesidade, por exemplo. A cidade era um centro de conhecimento e aprendizagem, tendo uma biblioteca com 400.000 livros, quando as outras bibliotecas da Europa possuiam apenas algumas centenas…

Foi com a álgebra, criada pelos árabes e as descobertas consequentes a isso, que se deu um desenvolvimento matemático que levou à construção das grandes catedrais góticas da idade média.

Era maravilhoso passear pela cidade, percorrendo as ruas pavimentadas, e observando fantásticas casas com magníficos pátios e já com água canalizada. Com o calor que se fazia sentir (e faz) no verão percorrer Córdoba, era uma lufada de ar fresco.

A época dourada de Córdoba terminou abruptamente no início do século XI, devido a questões internas de poder do império árabe. Com a reconquista da cidade pelos cristãos, ocorreram alterações aos grandiosos monumentos que tinha sido anteriormente construídos.

Mas apesar das alterações, numa visita à cidade é perfeitamente possível perceber todo este esplenderoso passado. Vai adorar.

O que não pode mesmo deixar de ver

1 – A magnífica Mesquita – Catedral

A Mesquita –Catedral de Córdoba é o monumento mais importante de todo o ocidente islâmico. É o espaço mais visitado de Córdoba.

Localiza-se no centro histórico e ocupa uma área de 24.000 m2. O edifício original foi construído no século XVIII mas ao longo dos anos sofreu várias alterações. A mais importante das quais foi a conversão em local de culto cristão.

Um pormenor muito interessante é que durante alguns anos esta Mesquita-Catedral esteve didivida em duas zonas para que no mesmo espaço (mas em zonas diferentes) árabes e cristãos pudessem praticar o culto da respetiva religião. Fantástico.

Entre pela porta do Perdão, local onde em dias específicos se perdoavam dívidas, e deslumbre-se com esta maravilha. Em 1984 foi declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO e um pouco mais tarde também todo o conjunto urbano que a rodeia.

Pormenor da fachada da Mesquita-Catedral

Interior da Mesquita-Catedral

Pormenor do interior da Mesquita-Catedral

Pormenor do interior da Mesquita-Catedral

Pormenor do interior da Mesquita-Catedral

2 – O alcázar dos reis cristãos

Em Córdoba existe um alcázar, à semelhança de outras cidades espanholas. Consiste numa fortaleza que tem no seu interior um magnífico palácio. Originalmente era um palácio árabe, moradia de califas.

Já teve vários tipos de ocupação, como residência da família real cristã, sede do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) ou prisão.

Aqui existem jardins e pátios lindíssimos, sendo de destacar o Mudéjar, com todo o pavimento em mármore.

3 – Os pátios, praças e bairros

Toda a zona histórica que rodeia a Mesquita – Catedral é super interessante. Obrigatório pelo menos visitar a plaza del Potro, os bairros do alcázar velho e a judiaria. Esta, é um bairro castiço e onde se pode encontrar uma das poucas sinagogas em Espanha.

Demore-se a percorrer as ruas e perca-se nos pátios, são muito bonitos, sendo reconhecidos como Património Mundial da Humanidade.

A decoração, as cores, a arquitetura, entre outros factores fazem com que seja um excelente passeio.

Uma rua de Córdoba

Um pátio de Córdoba

4 –A cidade dos califas

A aproximadamente 10 km de Córdoba encontra-se a Medina Azahara. Era uma cidade de califas, mandada construir no século X, em pleno período de ocupação árabe.

A lenda refere que o califa Abd-al Rahman III, queria que existisse uma cidade dedicada a Azahara, a sua mulher preferida. Mas a realidade é um pouco diferente. Este califa teve a intenção de mostrar a grandiosidade do novo califado fundado a ocidente.

Medina Azahara estava dividida em 3 patamares, sendo 2 deles ocupados pelo alcázar e o mais baixo pelas habitações e pela mesquita. Cerca de 10.000 pessoas trabalharam diariamente nesta cidade, utilizando mármore, ouro e pedras preciosas.

Imagino que teria sido uma cidade realmente magnífica. Conhecendo um pouco deste passado, torna-se muito interessante realizar uma visita.

Medina Azahara

Medina Azahara

Pormenor da Medina Azahara

Claro que há muito mais para ver e fazer, se olhar para um mapa de Córdoba vai verificar que há imensas atrações. Mas na minha opinião, as que eu falei são mesmo obrigatórias.

Para finalizar destaco a comida e o flamenco… O que está à espera? 😉

A Catedral de Sevilha (e a Giralda)

A Catedral de Sevilha (e a Giralda)

Quando chegamos ao coração da cidade de Sevilha vemos imediatamente a Catedral, Santa Maria de la Sede. É um monumento majestoso, sendo a maior Catedral da Europa e uma das maiores do mundo. No estilo gótico é a maior do mundo! Tem 126 metros de comprimento, 83 metros de largura e altura máxima de 37 metros. A área completa ocupada pela igreja é de 23.500m2.

Na sua proximidade encontra-se o Alcazar e o Arquivo das Índias, que também são 2 locais maravilhosos. Juntos formam um complexo que é património da UNESCO desde 1987.

É algo que não pode perder numa visita a Sevilha. Irei falar noutros artigos do Alcazar e Arquivo dos Índias, neste irei focar-me apenas na Catedral.

A história

Como expliquei no artigo sobre a história da Andaluzia, existiu nesta região uma ocupação muçulmana durante muitos anos. No século XII um povo árabe proveniente de Marrocos designado de Almóada, substitui o controle da região da Andaluzia da dinastia dos Almorávidas.

Os Almóadas decidiram transferir a capital do seu reino para Sevilha e construiram uma Mesquita (com um minarete). Foi também no decorrer desta época que foi construído o minarete da mesquita Koutoubia em Marrakesh. É interessante verificar as semelhanças de ambas as estruturas.

Alguns anos mais tarde, já no século XIII Sevilha foi reconquistada pelos cristãos, por Fernando III, Rei de Castela. Com a chegada de uma nova religião a Sevilha, a mesquita existente passou a ser utilizada para a prática do culto cristão. Em 1248 a mesquita foi consagrada Catedral.

Pouco tempo depois de Sevilha se ter tornado novamente cristã, ocorreu um grande terramoto, que causou grandes danos na cidade. O maior estrago foi a queda de 4 esferas de bronze que se encontravam no topo do minarete da antiga mesquita. Susbtitui-se então esta peça por uma estrutura com sino, já na linha da doutrina cristã.

No ano de 1403 começaram a ser realizadas obras na antiga mesquita, para que fosse construída uma nova Catedral. Este processo demorou mais de 100 anos, mas mesmo depois de terminadas as obras foram sempre existindo algumas alterações e reformulações ao edifício original. Hoje em dia podemos dizer que abrange 7 séculos de história.

Num dos processos de restauro colocou-se uma estátua no topo do campanário, antigo minarete, para representar a Fé. Essa estátua de bronze, pesa pouco mais de 1 tonelada, tem forma de cata-vento e chama-se Giraldillo. Com o tempo, a torre passou a designar-se Giralda.

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

 

O que ver

1 – Giralda

Do alto da Giralda temos uma vista formidável da cidade de Sevilha. O campanário em si também é fantástico, com decoração com motivos geométricos entrelaçados e janelas trabalhadas. Tem uma altura de 96 metros.

Este campanário influenciou a construção de várias torres em Espanha e mais tarde nas Américas.

A Giralda

2 – Réplica do Giraldillo

A estátua que se encontra no topo do campanário tem uma réplica localizada na Puerta del principe da Catedral.

3 – Pátio das laranjeiras

Atravesse uma porta Almóada até ao Patio de los Naranjos. Chegou ao que resta de uma mesquita do século XII. Na fonte que existe neste espaço era onde os muçulmanos faziam as suas abluções antes da oração. Era debaixo das laranjeiras que os pés e mãos eram lavados.

Hoje em dia este pátio é utilizado como local de acesso à Catedral.

4 – Nave central e 80 capelas

A nave central eleva-se a uns impressionantes 42 metros, é gigantesca. Possui uma quantidade enorme de ouro, que imediatamente chama a atenção de quem visita a este monumento.

No interior da Catedral existe um total de 80 capelas e 5 naves. Esteja atento aos pormenores, é pura ostentação…

5  – Retábulo da Capela Maior

O retábulo da Capela Maior é uma enorme peça de arte de ouro e madeira que demorou 80 anos a ser construída. É um dos melhores exemplos de escultura gótica de todo o mundo.

No retábulo encontram-se representadas 45 cenas esculpidas da vida de Cristo e de Santa Maria de la Sede, a santa padroeira da Catedral. O autor desta peça foi o escultor Pierre Dancart.

6 – Sala do Capítulo e Sacristia Maior

A sala do Capítulo, também chamada de Cabildo, tem um formato elíptico e é uma das mais belas obras de arquitetura do Renascimento. Foi criado por Hérnan Ruiz. Neste salão encontram-se as obras do pintor Bartolomé Esteban Murillo, sendo de destacar a sua pintura chamada de Inmaculada Concepción.

Junto a este espaço encontra-se a Sacristia Maior onde está o tesouro, que consiste num conjunto de peças riquissimas.

7 – Túmulo de Cristóvão Colombo

Este é um dos locais mais visitados da Catedral. Os restos mortais de Cristóvão Colombo que foram trazidos de Cuba, possui 4 portadores que representam os reinos de Castela, Leão, Aragão e Navarra.

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