O relógio astronómico de Praga

O relógio astronómico de Praga

Praga é a capital da República Checa e na minha opinião, uma das mais belas cidades da Europa. Visitei no mês passado e adorei. Tenho a certeza de que irei voltar.

O centro histórico é lindo, com edifícios excepcionais, um castelo imponente e uma ponte que é uma das mais famosas do mundo. Todo o centro histórico é Património UNESCO.

O relógio astronómico

Localização do relógio

Na cidade de Praga existem 2 margens, que são divididas pelo rio Vltava:

  • De um lado Malá Strana (cidade pequena) e Hradcany – É na cidade pequena que se localiza o Castelo;
  • Na outra margem: Staré Mesto (cidade velha), Nové Mesto (cidade nova), Josefov (bairro judeu) e Vysehrad.

Na fachada da antiga Câmara Municipal, localizada no coração da cidade velha, encontramos um dos pontos mais emblemáticos de Praga. É o relógio astronómico, um dos mais antigos e elaborados do mundo. Além de marcar as horas, também indica as fases da lua e o movimento das estrelas… É um monumento à observação dos céus.

Aliás, a função principal do relógio astronómico era descrever o movimento dos corpos celestes, mostrando que o tempo era apenas um elemento secundário…

Passei lá várias vezes e a quantidade de turistas a observar e fotografar é inacreditável. Desde junho de 2017 que este edifício se encontra em reparação, estando encerrado o acesso interior ao público e parcialmente tapado o seu exterior. Vai ver isso nas fotografias deste artigo.

Se estiver a pensar ir a Praga, faça-o de preferência só para o ano. As obras terminam no final de 2017.

A construção do relógio

O edifício da Câmara Municipal foi criado no ano de 1338 e tinha como objetivo inicial ser a sede da administração da cidade velha. Alguns anos mais tarde, foi adicionada uma torre a sul e em 1410 foi instalada na sua fachada o relógio astronómico.

Esta obra-prima foi realizada pelo relojoeiro real Mikuláš de Kadaň e aperfeiçoada no final do século XV pelo mestre Hanuš de Růže. Existe uma lenda que indica que foi Hanuš que construiu o relógio, mas isto não é verdade. A lenda diz também que para o mestre não tornar a fazer outro relógio igual, os conselheiros de Praga mandaram-no cegar. Mas como vingança Hanuš parou o relógio…

Na realidade o relógio astronómico de facto parou, mas foi bem mais tarde , já no século XIX. O seu mecanismo foi reparado pelo seu relojoeiro Ludvík Hainz.

Praga era constituida por 4 cidades que no século XVIII se uniram e a Câmara Municipal tornou-se a sede de toda a cidade. Nesta altura existiu uma proposta para remover o relógio da fachada da torre, mas felizmente não foi aceite.

Desde então têm sido realizadas várias ações de melhoria no relógio, no sentido de o preservar e melhorar alguns mecanismos. Interessante saber que apesar de o relógio já ter vários séculos, ainda há partes que são as originais…

As 3 partes do relógio astronómico

Parte 1 – Os 12 apóstolos

No topo encontram-se 12 estatuetas mecânicas que representam os 12 apóstolos. Estas imagens foram acrescentadas no século XVII ao relógio. Durante o incêndio de 1945 as estatuetas foram destruídas, tendo sido substituídas por estátuas de madeira feitas por Vojtěch Sucharda 3 anos mais tarde.

À hora certa, entre as 9h e as 23h, pode ver um desfile das estatuetas nas 2 pequenas janelas sob o telhado. Vai reconhecer cada um dos apóstolos porque têm um atributo que os identifica.

Além dos apóstolos à hora certa também outras estatuetas “ganham vida” O esqueleto, que tem uma ampulheta na mão que mede o tempo, puxa a corda e dá início ao desfile. Acena a cabeça ao turco, que simboliza a extravagância. O turco recusa.

O avarento mexe a cabeça e sacode a sua bengala e bolsa, em sinal de ameaça, enquanto mesmo ao seu lado a estátua que representa a vaidade olha-se ao espelho. Estas figuras são símbolos da sociedade medieval de Praga.

Quando o galo canta, todos os movimentos são finalizados e o relógio astronómico adormece mais uma hora.

Parte 2 – O mostrador astronómico

O relógio astronómico tem mais de 600 anos e é único no mundo. No astrolábio podemos obter diversa informação. O astrolábio é um instrumento astronómico utilizado para determinar a hora local, assim como a posição do sol, da lua e das estrelas. Esta era a percepção medieval do universo.

O que existe na torre da antiga Câmara Municipal de Praga é um enorme círculo com 2 discos círculares mantidos juntos no centro. A parte superior representa o dia e a inferior a noite. Na parte inferior podemos ver com 2 cores o nascer e o pôr do sol, à esquerda e direita respetivamente. Basta olhar para a localização do sol e confirmamos qual a altura do dia em que estamos!

Ao observar o astrolábio atentamente podemos também saber:

  • Hora da antiga Boémia – os números góticos indicam as horas que passaram desde o pôr-do-sol, que era o início do novo dia;
  • Hora da Babilónia –os números árabes medem as horas entre o nascer e o pôr-do-sol, pelo que os dias no verão e no inverno têm durações diferentes;
  • Hora da Europa Central ou Hora antiga Alemã – a mão dourada indica a hora que é utilizada por todos nós. O dia começa à meia noite;
  • Hora das estrelas – é mostrado no mostrador numeral romano e deriva do movimento das estrelas;
  • Nascer e pôr-do-sol – a localização do sol nas 3 regiões de cores diferentes indica se é dia ou noite. Os momentos do nascer e pôr-do-sol ocorrem nos limites das cores;
  • Signos do zodíaco – marcado pelos 12 símbolos do zodíaco;
  • Posição e fases da lua- uma bola viaja através do mostrador, realizando uma volta de 29 dias e meio (mês lunar) e mudando o seu aspeto de acordo com as fases da lua;
  • Declinação do sol – pela posição do sol nos círculos dourados, que representam o trópico de câncer, de capricórnio e o equador;
  • Equinócio e solstício – pela posição da luz do sol nas barras que ligam o anel do zodíaco ao relógio.

Parte 3 – Mostrador do calendário

Esta é a parte mais nova do relógio astronómico, tendo sido acrescentada ao relógio astronómico no século XIX.

A parte mais importante é o cisiojanus, o dispositivo mnemónico utilizado para lembrar as festas mais importantes. Esta informação encontra-se no anel mais exterior. O principal responsável por este dispositivo foi Karel Jaromír Erben, um historiador, poeta e escritor checo.

No mostrador do calendário existe também informação dos signos do zodíaco e dos dias e meses do ano. Para verificar a data atual é só consultar o que está no topo.

Além do símbolo da cidade velha encontramos também as estátuas do filósofo, arcanjo Miguel, astrónomo e do cronista.

Mostrador do calendário

 

O castelo de Praga

O castelo de Praga

Numa visita a Praga o seu castelo é algo absolutamente incontornável. Vai vê-lo quando atravessar a ponte Carlos, a mais antiga e famosa da cidade. Recomendo também que não fique só por aqui e que dedique algum tempo (uma manhã ou tarde) para uma visita ao seu interior.

O castelo é um símbolo super importante não só de Praga mas de toda a República Checa. É a sede do poder político e religioso, tendo sido residência da família real da Boémia e do Bispo de Praga e da presidência da república a partir de 1918. É o maior complexo de castelos do mundo, de acordo com o Guiness Book of World Records, ocupando uma área de 70.000 m2. É também Património Mundial da UNESCO.

Na minha opinião são 2 razões fortíssimas para pensar ir (ou regressar) brevemente a Praga 🙂

Qual a história do castelo?

O castelo de Praga foi fundado aproximadamente no ano de 880 pelo príncipe Bořivoj, o 1º Duque da Boémia. Este príncipe foi o 1º elemento real da Dinastia Přemyslid, que governou a Boémia durante 400 anos, até ao ano de 1306.

Bořivoj pretendeu estabelecer-se num sitio com uma localização mais vantajosa, no topo de uma colina, junto ao rio Vltava. E assim começou o enorme complexo que vemos hoje.

A 1ª construção de todas foi uma fortaleza de madeira e mais tarde é foram construidas edifícios de pedra. A Igreja de Santa Maria, que já não existe atualmente (apenas algumas ruínas) e a Basílica de São Jorge foram as primeiras.

Ao longo dos anos, por inicitiava dos sucessivos monarcas foram construídas várias igrejas e outros edifícios. No século XIV, por iniciativa do Imperador Carlos IV, a aparência do castelo sofreu algumas alterações. Este Imperador é o que deu nome à ponte mais antiga e famosa de Praga. Na sua época foi iniciada a construção da Catedral de S. Vito e ocorreram algumas alterações nas fortificações do castelo e no palácio. A família real passou a residir no castelo.

Até ao dia de hoje muitas alterações ocorreram, pelo contexto de diferentes reis e imperadores, pelos estilos que se encontravam em voga numa determinada altura, pelo incêndio de 1541 ou pelos vários conflitos armados ocorridos. De tantos acontecimentos decorridos nos séculos resultou um complexo com edifícios de estilo totalmente diferente.

O que podemos visitar?

No interior do castelo existem vários palácios, edifícios eclesiásticos, escritórios de vários estilos arquitetónicos, construídos ao longo de vários séculos. De seguida vou falar um pouco mais daqueles locais que poderão ser considerados “obrigatórios”.

Antigo Palácio Real

A área subterrânea é a mais antiga de todo o complexo. O Palácio foi morada de príncipes e reis da Boémia até ao século XVI, tendo sido construído sob as ruínas de um Palácio Romanesco, obra do príncipe Soběslav.

Existem vários pontos de interesse, mas é de destacar o Vladislav hall. É uma enorme divisão que foi feita entre 1492 e 1502 por Vladislav, que lhe deu o nome. É um espaço enorme com janelas de 5 metros de altura, piso de madeira do século XVIII e candelabros de lata (apenas 3 dos 5 são de lata).

O Vladislav Hall já foi utilizado para a realização de vários eventos, tais como banquetes,corações, assembleias ou torneios. Atualmente o salão é utilizado para cerimónias de estado e eleições presidenciais.

Igualmente de destacar no antigo Palácio Real é a Igreja de todos os Santos. Foi construída por Petr Parler no local onde se encontrava uma igreja Romanesca, igualmente consagrada a todos os Santos. Esta Igreja encontrava-se decorada à semelhança de Sainte Chapelle de Paris, até ter sido parcialmente destruída no incêndio de 1541.

Catedral de S. Vito

A Catedral de S. Vito é a maior e a mais importante igreja de Praga e da República Checa. Foi fundada em 1344 e demorou 600 anos a ser construída. Foi aqui que santos, príncipes e reis foram enterrados.

No seu interior encontra-se o braço de S. Vito e as jóias da coroa. Se tiver interesse espreite o tesouro da catedral, é o maior do país e um dos mais importantes da Europa. Mas o ponto alto é a belíssima Capela dedicada a S. Venceslau, o santo patrono do país. Foi criada no século XIV por Carlos IV e é um espaço muito conhecido pela sua decoração.

Do alto da torre sul da Catedral, com quase 100 metros de altura, vai conseguir ter uma panorâmica extraordinária de Praga. Vale bem a pena subir os 287 degraus!

A construção desta torre teve início no século XIV e terminou 3 séculos mais tarde. Nela encontram-se vários sinos, sendo um deles o maior de toda a República Checa. É designado por Zikmund e pesa 15 toneladas.

Diz a lenda que quando o Imperador Carlos IV morreu os sinos começaram a tocar sozinhos. Outra lenda diz também que se o coração do Zikmund se partir alguma coisa muita má irá ocorrer no país. Já aconteceu uma vez, no no de 2002 e algumas semanas depois ocorreram indundações no país…

Pormenor do exterior da Catedral de S. Vito

Catedral de S. Vito

Basílica de S. Jorge

A Basílica de S. Jorge é a 2ª igreja mais antiga de Praga, tendo sido fundada por volta do ano 920. É facilmente reconhecida pelos 2 campanários de 41 metros de pedra branca.

Começou por ser um convento de freiras beneditinas, mas graças aos estragos provocados por um incêndio o edifício teve de ser reconstruído. O que vemos atualmente numa visita são paredes muito antigas e uma rica coleção de arte gótica e barroca.

Se tiver disponibilidade assista a um concerto de música nesta Basílica. A acústica é incrível!

Rua do Ouro

A Rua do Ouro (Golden Lane) é uma pequena rua com várias pequenas casas coloridas, muito bonitas. Foi uma das coisas que mais gostei em todo o complexo.

Foram construídas no fim do século XVI para habitação dos atiradores que guardavam o castelo. Ao todo eram 24 e como havia falta de espaço tiveram de ser construídas casas muito pequenas. O Imperador proibiu que existissem janelas para o Deer Moat e que as casas fossem vendidas ou alugadas.

Ao longo dos anos algumas casas foram destruídas e os atiradores já não eram necessários. A rua foi então ocupada por pessoas com outras profissões. No nº 22 morou o famoso escritor Franz Kafka e no nº 14 uma adivinha chamada Madame de Thebes que previu a queda do nazismo e foi presa (e morta) por isso.

O nome da rua teve origem na altura em que as casas foram ocupadas por ourives.

Torre Mihulka

A Torre Mihulka é a maior das torres de canhão. Foi construída no século XV e fazia parte das novas fortificações do castelo.

Já serviu de laboratório de alquimia, armazém de pólvora, calabouço e atualmente no seu interior encontra-se uma expoição permanente sobre a Guarda do castelo. A torre já teve vários nomes e o de Mihulka surgiu apenas do século XIX, devido à existência de pólvora no seu interior.

Palácio Rosenberg

O Palácio Rosenberg começou no século XVI, por ser um edifício renascentista que pertencia à família com o mesmo nome. Mais tarde foi reconstruído em estilo barroco e utilizado como Institrtuto de mulheres que pertenciam a famílias nobres. Aqui foram educadas 30 raparigas nobres, que por diversas razões ficaram pobres.

Desde o ano de 1919 que o Palácio se encontra ocupado por escritórios do governo.

 

Numa visita ao Palácio Rosenberg vai visitar a capela, o salão e uma exposição onde pode ficar a conhecer um pouco melhor o Instituto.

Para saber mais acerca de tantos séculos de história do complexo, aconselho a visitar as exposições permamentes sobre a história do castelo e a galeria de arte europeia (pintura) entre os séculos XV e XVIII.

Se for no verão, como eu, ainda pode visitar os jardins e uma enorme ravina designada de Stag Moat.

Num dia perfeito, comece por atravessar a magnífica ponte Carlos e suba até ao castelo. Demore-se a ver a vista e entre. Reserve umas horas para ver tudo com calma. Isto é Praga…

A ponte mais famosa de Praga

A ponte mais famosa de Praga

Praga é a capital da República Checa e na minha opinião, uma das mais belas cidades da Europa. Visitei há poucos dias e adorei. O centro histórico é lindo, com edifícios excepcionais, um castelo imponente e uma ponte que é uma das mais famosas do mundo. Todo o centro histórico é Património da UNESCO desde 1992.

O castelo

O centro da cidade de Praga é atravessado pelo mais extenso rio do país, o rio Vltava. Tem 435 km, nasce na região da Boémia e desagua a alguns quilómetros a norte da capital checa. O rio divide Praga em duas margens:

  • De um lado Malá Strana (cidade pequena) e Hradcany – É na cidade pequena que se localiza o Castelo;
  • Na outra margem Staré Mesto (cidade velha), Nové Mesto (cidade nova), Josefov (bairro judeu) e Vysehrad.

Nesta cidade existem mais de 300 pontes… no rio Vltava e em outros cursos de água que por lá existem. Por isso é que é chamada de cidade das 100 torres e também das 100 pontes.

A mais conhecidade de todas é a ponte Carlos. É a mais antiga e durante 450 anos foi a única ligação às duas margens do rio Vltava.

Quem mandou construir a ponte?

O Imperador Carlos IV ordenou que fosse construída uma ponte em Praga no ano de 1357 (foi concluída em 1402). Era necessário substituir a antiga ponte Judith que tinha sido destruída pelas inundações de 1342. O Imperador atribuiu a tarefa de desenho e construção da ponte ao arquiteto Petr Parleř, mas só após a sua morte é que foi concluída.

Diz a lenda que Carlos IV consultou astrólogos para conhecer qual o dia mais favorável ao início da obra. A 1ª pedra foi colocada pelo próprio Imperador no exato momento em que os astrólogos recomendaram. Foi na madrugada (5h31) do dia 9 de julho de 1357.

Diz-se também que na altura em que foi construída foram utilizados ovos, vinho e leite para garantir que durasse muitos anos… o que é um facto é que ela já tem quase 660 anos!

Incialmente era designada por Ponte de Pedra e só em 1870 é que recebeu o nome de Carlos, como homenagem a este soberano.

Como é a ponte e o que podemos ver?

A ponte Carlos tem 515,76 metros de comprimento e 9,5 metros de largura. É uma construção de arenito que tem 16 arcos.

Os arcos

Eu diria que em 1º lugar o mais importante na ponte Carlos é a vista que temos do Castelo, do rio e de toda a sua dinâmica. Muito provavelmente vai atravessar partindo da zona antiga e por isso terá este lindíssimo monumento mesmo à sua frente. É um complexo magnífico localizado no topo de uma colina. Muito interessante também é observar o rio, ambas as margens e todos os barcos que percorrem o Vltava.

Em 2º lugar é a própria ponte. Tem 3 torres (uma numa das suas extremidade e 2 na outra) e 30 estátuas de importantes santos ao longo de toda a sua extensão.

Em 3º lugar toda a animação dos inevitáveis artistas de rua e pequenos comerciantes. Não aconselho comprar porque aqui é tudo muito mais caro, mas sem dúvida que vale a pena ver e fazer parte de tudo isto.

Artistas de rua

O trânsito é proibido na ponte desde 1965 por isso pode percorrer toda esta maravilha completamente à vontade.

As torres

As torres que se encontram nas extremidades da ponte Carlos são consideradas por muitos, como as construções góticas mais bonitas do mundo. No lado da cidade velha existe uma e na sua proximidade a estátua do Imperador Carlos IV que deu nome à ponte. Esta torre foi construída na mesma época da ponte e possui esculturas belíssimas, também da responsabilidade do arquiteto Petr Parleř.

Muito provavelmente a sua travessia vai ser iniciada exatamente aqui. Prepare-se que é o início de uma viagem no tempo. Depois de meio kilómetro de ponte, já do lado do castelo existem 2 torres com alturas diferentes. A mais pequena é a mais antiga e pertencia à antiga ponte Judith. A torre mais alta é mais recente, do século XV, assim como o pórtico entre ambas as torres.

Torre do lado da cidade velha

Torres do lado do castelo

As estátuas e grupos escultóricos

As 30 estátuas e grupos escultóricos que se encontram na ponte foram colocadas entre 1683 e 1928, muito anos após a sua construção. É uma mistura de estilos muito interessante, uma vez que a ponte é ainda medieval e as estátuas barrocas. Elas foram doadas por juízes e nobres que pertenciam ao movimento da Contra-Reforma.

O que vemos hoje na ponte são réplicas, se quiser ver as originais terá de visitar o Museu Nacional de Praga.

As estátuas representam na sua grande maioria santos, sendo eles nomeadamente S. Ivo; Santa Barbara, Margarida e Elisabete;  – as virgens sagradas; Pieta; S.Sigismundo, Santa Lutgarda, S. Alberto ou a muito conhecida estátua e homenagem a S. João Nepomuceno. Esta é a estátua mais antiga da ponte.

Diz a lenda que este santo era um padre confessor da rainha e que quando negou dizer ao rei o que a rainha lhe contava em confissão, foi morto e o seu corpo mandado ao rio.

Dedicado a este santo existe uma estátua e uma homenagem talhada em ferro. Em ambos os monumentos é possível verificar a existência de 5 estrelas na cabeça, que se diz terem sido vistas com o seu corpo no rio…

Uma outra escultura que se encontra na ponte é o Calvário, que ao longo dos anos foi sofrendo várias modificações. Neste local eram executadas as penas de morte.

Esta ponte e a sua envolvência é verdadeiramente extraordinária.

Lisboa Passport

Lisboa Passport

Desde que me lembro de viajar que gosto de guardar algumas coisas. Recordações que me fazem lembrar de uma cidade que visitei, de uma viagem de metro, de um jantar fantástico (ou não) ou de um espetáculo.

Nos dias que correm há cada vez mais registos nas redes sociais, mas para mim, não é a mesma coisa. Puder tocar nos papéis torna a recordação diferente, talvez um pouco mais real…

Página de identificação no Lisboa Passport

Há bem pouco tempo ouvi falar do Lisboa Passport e gostei bastante desta ideia. Eu já tenho o meu e em breve vou começar a carimbar 😉

O que é?

O Lisboa Passport é um diário da viagem à capital portuguesa. Num pequeno livro com pouco mais do que 30 páginas podemos registar tudo aquilo que vimos e que visitámos.

Para mim, só o documento em si já é interessante. Nas páginas podemos ficar a conhecer um pouco mais da história de Lisboa. São 17 marcos que registam eventos como a tomada da cidade aos mouros, a partida de Vasco da Gama para a Índia, o terramoto de 1755 ou a mais recente Expo 98.

Interior do Lisboa Passport

Interior do Lisboa Passport

Também existe uma versão para crianças, exatamente do mesmo tamanho, mas com páginas em branco.

Os carimbos

O objetivo do Lisboa Passport é registar o que vimos, como disse, através de carimbos que estão disponíveis nas principais trações da cidade. Claro que pode (e deve) colocar também todas as suas notas pessoais, como por exemplo, a opinião de um determinado local que visitou.

Outro pormenor bastante interessante são os carimbos. São peças de design feitas de propósito para este diário. Cada um deles vai lembrá-lo do local que viu, não só pelo nome mas pelo desenho.

Atrações a visitar

Neste momento existem cerca de 40 carimbos disponíveis, em 40 atrações turísticas de Lisboa (e arredores). Importa dizer que os carimbos estão disponíveis num local de acesso público, pelo que não precisa de entrar e pagar bilhete ou consumir para carimbar o seu Passport. Ou seja, se quiser ver uma determinada atração de fora apenas também pode ter um registo.

As atrações localizam-se em Lisboa, Queluz, Almada e Sintra. Não são locais muito afastados do centro da capital portuguesa.

Os locais a visitar podem ser:

  • Zonas como Alfama, Rossio, Chiado, Bairro Alto, Avenida da Liberdade, Príncipe Real, Rua Augusta ou Belém;
  • Monumentos como o Castelo de São Jorge, Castelo dos Mouros, Padrão dos Descobrimentos, Sé de Lisboa, Cristo Rei, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém ou o Panteão Nacional;
  • Palácios (Belém, Pena, Sintra, Queluz ou Ajuda);
  • Estádio de futebol (da Luz);
  • Expriências como andar no Elétrico 28, ir à Ginjinha sem rival ou até aos Pastéis de Belém ou ainda ao Hard Rock Café;
  • Museus (Carmo, Calouste Gulbenkian, Oriente, Etnologia, Fado, Campo Pequeno, Marioneta, Santo António, Coches, Arte Antiga, Azulejo, Arqueologia) ou a Casa Fernando Pessoa.

São marcos incontornóveis e em alguns vai passar com toda a certeza.

Como são os banhos árabes em Córdoba

Como são os banhos árabes em Córdoba

A região da Andaluzia esteve ocupada pelos árabes durante várias centenas de anos. Granada foi o último local a ser reconquistado pelos cristãos, já no século XV. Este povo teve por isso uma enorme influência na vida dos andaluzes, em aspetos como alimentação, arquitetura ou língua.

Um legado que também ficou são os banhos árabes. Quando estive em Córdoba fui várias vezes, ao final do dia. Adorei o ambiente e tambem a sensação de relaxamento resultante do contacto com a água a diferentes temperaturas. Na minha opinião, esta experiência faz parte da viagem. Aconselho vivamente!

Um pouco por toda a Andaluzia pode ir aos banhos árabes e não só em Córdoba. Se for a Almeria, Granada, Málaga, Sevilha, Jaén, Cadiz ou Huelva, também existem.

Como surgiram os banhos árabes?

Começaram por existir termas romanas, banhos bizantinos e banhos a vapor. Já antes do século VII era muito apreciado o hábito de ir a banhos.

Quando os árabes ocuparam os locais onde tinham estado os romanos, aproveitaram as instalações dos banhos que já existiam, mas adaptaram-nas a uma versão um pouco diferente.

Eles acabaram por misturar vários aspetos dos banhos que existiam na altura, romanos e não só.

É interessante verificar que muitos dos banhos árabes que existem, encontram-se na proximidade das mesquitas. Como é sabido, antes da oração é obrigatório realizar as abluções, ou seja, a purificação do corpo. A proximidade dos banhos deverá estar relacionada com isso.

Normalmente existe um ponto de água no acesso à mesquita, mas melhor ainda do que isso seria ir aos banhos árabes.

Inicialmente os banhos apenas podiam ser utilizados por homens, só muito mais tarde é que as mulheres tiveram acesso também. Em alguns casos foram definidos horários para o acesso dos diferentes sexos e noutros foram construídas diferentes estruturas para homens e mulheres.

Mas ir aos banhos era muito mais do que lavar o corpo, era um momento social entre os habitantes. Imagino tanta coisa que se falou… política e negócios, por exemplo. Os banhos árabes faziam realmente parte da vida do povo.

Quando os árabes deixaram a Europa os banhos deixaram de ser utilizados. A Igreja não via com bons olhos um local onde era praticado o ócio e a preguiça, começando mesmo a acreditar-se que o banho poderia ser prejudicial à saúde. E assim, as instalações que existiam deixaram de ser utilizadas.

Foi só já quase no século XX, com mais informação (ciência), que se dismistificou a ideia de que os banhos podiam fazer mal. E como resultado dessa mudança de mentalidade surgiram mais banhos árabes. Hoje em dia sabe-se que os banhos são úteis na ativação da circulação sanguínea.

Como são os banhos árabes de Córdoba?

Os banhos árabes são edifícios públicos dividos em várias salas, podendo variar um pouco de acordo com as instalações. Eu vou falar das instalações que conheci na cidade de Córdoba, as maiores da Europa. Encontram-se localizadas muito próximo da mesquita, como é comum.

Estas instalações já foram cenário de filmes, séries e vários eventos culturais, são magnífícas. Por si só já valem a pena a visita.

Em Córdoba os banhos árabes têm 3 salas de água, sendo elas a sala fria com água a 16ºC, a temperada com água a 36ºC e a quente com água a 40ºC. Durante 1h30 podemos andar livremente por estas salas. Existe também a sala de vapor e a de descanso.

Eu nunca tinha ido e por isso não sabia exatamente o que deveria fazer, mas basta andar por lá, experimentar a sensação que gostamos mais e também o que os repetentes costumam fazer.

Área da receção

Sala temperada

 

Como é ir aos banhos árabes?

Depois de vestir o fato de banho vamos para a sala temperarada, para uma piscina a uns agradáveis 36ºC. É aqui onde a grande maioria das pessoas está.

De vez em quando passamos para a sala fria, onde existe chuveiro com água a 16ºc. Cada um vai estar o tempo que quiser debaixo de água, de acordo com a sua sensibilidade. Eu detesto frio por isso era apenas uns segundos!

Seguidamente devemos ir sempre para a piscina de água temperada. A outra hipótese é ir para a sala quente e entrar numa pequena piscina onde existe uma cascata de água a 40ºC. Temos de entrar muito devagar, não é fácil estar dentro de água mais quente do que o interior do nosso corpo. Mais uma vez, assim como no chuveiro de água fria, estamos o tempo que quisermos.

Depois da água quente voltamos sempre para relaxar para a piscina a 36ºC.

Portanto a ideia é estar na zona temperada e de vez em quando ir à sala fria ou à quente. Depois de cada deslocação devemos regressar sempre à zona temperada. Não vamos diretamente da zona fria para a quente.

É extremamente relaxante fazer este circuito várias vezes. O espaço, a decoração, a música, o cheiro, é todo um conjunto de experiências.

Além de tudo isto pode sempre optar por marcar uma massagem. Marque com algum tempo de antecedência para assegurar que existe disponibilidade para os dias que está em Córdoba.

 

As fotos deste artigo foram cedidas gentilmente pelo Hammam Al Andalus.

Uma maravilha chamada Alhambra

Uma maravilha chamada Alhambra

Granada é uma cidade magnífica. Encontra-se na Andaluzia que é uma comunidade autónoma de Espanha, localizada no sul do país. É uma região carismática e na minha opinião, extremamente interessante do ponto de vista paisagístico e histórico.

Toda a região da Andaluzia esteve ocupada pelos árabes durante vários séculos e o último reduto de toda a península ibérica foi Granada. Só em 1492 e depois de vários anos de luta, é que os reis católicos conseguiram reconquistar a cidade aos árabes.

O seu enquadramento paisagístico é perfeito. A cidade fica a cerca de 20 km da Serra Nevada, a 3ª maior cadeia montanhosa da Europa. O pico chega aos 3482 metros. O Alhambra, o monumento mais conhecido e o símbolo de Granada, encontra-se no topo de uma colina de nome al-Sabika, a aproximadamente 700 metros de altitude e tem a Serra Nevada como enquadramento. É perfeito.

A colina localiza-se na margem do rio Darro, a oeste de Granada. Do lado oposto do rio encontram-se os famosos bairros de Albaicin e Alcazaba.

Acredite que a 1ª impressão que vai ter do Alhambra vai ser magnífica, mas o verdadeiro encanto é o interior…. Quase em qualquer altura do ano existem imensas pessoas a querer visitar. Faço como eu, acorde de madrugada e vá para a fila. Vale a pena 😉

O que quer dizer Alhambra?

O nome de Alambra tem origem no árabe “qa,lat al-Hamra”, que significa castelo vermelho. Portanto, o seu nome está relacionado com o facto de as suas paredes serem avermelhadas.

O que é o Alhambra?

O complexo do Alhambra é a cidadela árabe mais espetacular do mundo. É uma cidade com muralhas onde se encontram aposentos reais, imensos jardins, pátios e muitas outras coisas.

 Quem construiu o Alhambra?

As primeiras referências ao Alhambra são do século IX, onde existe referência a uma fortaleza. Mas foi um pouco mais tarde, já no século XIII com a dinastia Nasrida que o Alhambra foi ocupado pela família real. Mohammed ben Al-Hamar foi o 1º rei desta dinastia e foi ele o 1º a ocupar o complexo. E com este evento começou a período glorioso do Alhambra.

Ao longo do tempo outros reis lhe sucederam e foram sendo realizadas alterações ao Alhambra. Mesmo depois de Granada ter sido reconquistada pelos reis cristãos, continou a ser alvo de algumas modificações. Uma parte foi demolida, tendo o espaço sido substituído pelo Palácio Carlos V e surgiram áreas novas como as Câmaras do Imperador e o Vestiário da Rainha.

No século XVIII no decorrer da ocupação francesa, ocorreu uma explosão no Alhambra o que provocou sérios estragos. A partir do século seguinte começaram as ações de recuperação, que continum até aos dias de hoje.

O que podemos ver no Alhambra?

No interior do Alhambra podemos visitar 4 áreas distintas, sendo elas, a Alcazaba, o Palácio Carlos V, o Generalife e o Palácio Nasrid.

1 – Alcazaba

O conjunto formado pela Alcazaba e pelas as torres Bermejas é a parte mais antiga de todo o complexo, sendo do século IX. Esta citadela tinha como objetivo vigiar e controlar a cidade de Granada. As torres Bermejas, que devem o seu nome à cor das suas paredes, pertenciam a um conjunto de torres de vigia, que eram a torre de la Quebrada, del Homenaje e de la Vela.

Estas torres foram as primeiras defesas militares da cidade e uniram-se à Alcabaza algum tempo depois de serem construídas. Foi já enquanto conjunto que se uniram através de uma muralha ao Alhambra.

De toda esta zona, temos uma vista soberba para o restante complexo do Alhambra e para a magnífica cidade de Granada.

Alcazaba

Alcazaba

Alcazaba

Alcazaba

2 – Palácio Carlos V

O Palácio Carlos V é uma das obras mais importantes realizadas na época do Renascimento. O rei de Espanha e imperador da Alemanha, D. Pedro V visitou Espanha no decorrer da sua lua-de-mel. Gostou tanto que escolheu Granada para morar e mandou construir um magnífico palácio no Alhambra para essa finalidade.

O arquiteto responsável pela obra foi Pedro Machuca, que foi formado no meio artítsico de Roma, tendo sido discípulo de Miguel Ângelo. E devido a esta influência criou algo totalmente inovador em Espanha. A particularidade mais interessante é que o palácio tem um fomato redondo no interior, apesar das paredes externas apresentarem um forma quadrada.

Atualmente no Palácio Carlos V existe o museu de Belas Artes e o do Alhambra. Carlos V acabou por nunca conseguir morar no espaço que mandou construir….

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

3 –Generalife

O Generalife era um local de descanso e lazer para os reis e sultões de Granada, assim como a sua área agrícola. O seu nome significa jardim de arquiteto, o que remonta às suas origens, antes de ser património real.

Neste espaço existem 2 edíficos ligados através do Patio de la Acequia, que é um dos locais mais emblemáticos e fotografados de todo o Alhambra. Neste patio existe o canal de irrigação real que encaminha água para os jardins e para todo o complexo.

É pura magia todo conjunto de factores como ambiente, som da água, estilo árabe, luz e plantas.

Generalife

Generalife

Generalife

Generalife

4 – Palácios Nasridas

Os Palácios Nasridas eram a antiga residência dos sultões e são o coração de todo o complexo do Alhambra.

Aqui podemos encontrar algumas construções cristãs (como a sala do Imperador), mas a zona principal e mais famosa é composta por estes 3 palácios:

  • Mexuar ou Meshwar – é a zona mais antiga. Este espaço servia para a realização de reuniões dos ministros do rei e também como tribunal;
  • Comares – era a residência oficial do sultão e é onde se encontra a sala do trono. Tem um belissímo lago;
  • dos Leões – este é o palácio mais emblemático, por ter o pátio central com os leões e o miradouro Daraxa.

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

O mais dificil é entrar nestes palácios, às 6h30 da manhã já eu estava na fila para conseguir entrar! Não há hora marcada para entrar no Alhambra mas nos Palácios Nasridas sim. Mas valeu muito a pena, é uma maravilha. Adorei.

Uma vez li que por vezes o todo é mais do que a soma das partes. O Alhambra é assim

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