O Alentejo ocupa quase um terço de portugal, desde o rio Tejo até ao Algarve. Nesta região encontram-se planícies douradas a perder de vista e povoações salpicadas de branco, herança mourisca.

A identidade da região encontra-se ligada à sua gastronomia, ao seu vinho e ao cante.

Este foi considerado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em 2014.

Existem várias teorias sobre a origem do cante alentejano. Pode ter tido origem nos coros gregorianos ou no canto árabe.

É um canto executado em grupo e sem instrumentos, centrado em valores da alma do povo e reconhecido pelo seu andamento lento e a existência de pausas. Nele distinguem-se sempre 2 vozes solistas que vão alternando com um coro, no qual também participam.

As “modas” que versam podem ter como temas o trabalho, o amor, a contemplação e a nostalgia. São temas normalmente tristes e ligados às recordações da terra onde se nasceu.

Inicialmente o cante era uma manifestação espontânea, que acontecia no campo. Marcava o movimento lento da ceifa, monda ou apanha da azeitona. Funcionava como um estímulo para um determinado ritmo de trabalho. Nesta altura era uma prática cultural de homens e mulheres.

Ao longo do tempo a forma de trabalho foi-se alterando e o cante deixou de ter importância nas tarefas do campo. Passou a ser protagonizado nas tabernas. Estes locais eram interditos a mulheres e por isso ficaram privadas do papel de intérpretes. Apenas depois do 25 de Abril foi possível constituírem grupos femininos ou juntarem-se aos grupos de homens.

Esta tradição tem vindo a ser passada ao longo de gerações e hoje em dia existem grupos oficiais.

Para saber mais sobre este género musical consulte http://casadocante.pt/ e oiça o estudo para um documentário do Sérgio Tréfaut  https://www.youtube.com/watch?v=OGmCNJ6RGEs

Confesso que o Alentejo para mim é o melhor de Portugal. A paisagem, as pessoas e o seu modo de estar e a imensa tranquilidade são totalmente fascinantes e únicos. E o cante é algo que vem de dentro, da alma. Esta autenticidade ainda se pode presenciar indo a uma taberna numa povoação branca no imenso Alentejo.

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