Numa visita a Praga o seu castelo é algo absolutamente incontornável. Vai vê-lo quando atravessar a ponte Carlos, a mais antiga e famosa da cidade. Recomendo também que não fique só por aqui e que dedique algum tempo (uma manhã ou tarde) para uma visita ao seu interior.

O castelo é um símbolo super importante não só de Praga mas de toda a República Checa. É a sede do poder político e religioso, tendo sido residência da família real da Boémia e do Bispo de Praga e da presidência da república a partir de 1918. É o maior complexo de castelos do mundo, de acordo com o Guiness Book of World Records, ocupando uma área de 70.000 m2. É também Património Mundial da UNESCO.

Na minha opinião são 2 razões fortíssimas para pensar ir (ou regressar) brevemente a Praga 🙂

Qual a história do castelo?

O castelo de Praga foi fundado aproximadamente no ano de 880 pelo príncipe Bořivoj, o 1º Duque da Boémia. Este príncipe foi o 1º elemento real da Dinastia Přemyslid, que governou a Boémia durante 400 anos, até ao ano de 1306.

Bořivoj pretendeu estabelecer-se num sitio com uma localização mais vantajosa, no topo de uma colina, junto ao rio Vltava. E assim começou o enorme complexo que vemos hoje.

A 1ª construção de todas foi uma fortaleza de madeira e mais tarde é foram construidas edifícios de pedra. A Igreja de Santa Maria, que já não existe atualmente (apenas algumas ruínas) e a Basílica de São Jorge foram as primeiras.

Ao longo dos anos, por inicitiava dos sucessivos monarcas foram construídas várias igrejas e outros edifícios. No século XIV, por iniciativa do Imperador Carlos IV, a aparência do castelo sofreu algumas alterações. Este Imperador é o que deu nome à ponte mais antiga e famosa de Praga. Na sua época foi iniciada a construção da Catedral de S. Vito e ocorreram algumas alterações nas fortificações do castelo e no palácio. A família real passou a residir no castelo.

Até ao dia de hoje muitas alterações ocorreram, pelo contexto de diferentes reis e imperadores, pelos estilos que se encontravam em voga numa determinada altura, pelo incêndio de 1541 ou pelos vários conflitos armados ocorridos. De tantos acontecimentos decorridos nos séculos resultou um complexo com edifícios de estilo totalmente diferente.

O que podemos visitar?

No interior do castelo existem vários palácios, edifícios eclesiásticos, escritórios de vários estilos arquitetónicos, construídos ao longo de vários séculos. De seguida vou falar um pouco mais daqueles locais que poderão ser considerados “obrigatórios”.

Antigo Palácio Real

A área subterrânea é a mais antiga de todo o complexo. O Palácio foi morada de príncipes e reis da Boémia até ao século XVI, tendo sido construído sob as ruínas de um Palácio Romanesco, obra do príncipe Soběslav.

Existem vários pontos de interesse, mas é de destacar o Vladislav hall. É uma enorme divisão que foi feita entre 1492 e 1502 por Vladislav, que lhe deu o nome. É um espaço enorme com janelas de 5 metros de altura, piso de madeira do século XVIII e candelabros de lata (apenas 3 dos 5 são de lata).

O Vladislav Hall já foi utilizado para a realização de vários eventos, tais como banquetes,corações, assembleias ou torneios. Atualmente o salão é utilizado para cerimónias de estado e eleições presidenciais.

Igualmente de destacar no antigo Palácio Real é a Igreja de todos os Santos. Foi construída por Petr Parler no local onde se encontrava uma igreja Romanesca, igualmente consagrada a todos os Santos. Esta Igreja encontrava-se decorada à semelhança de Sainte Chapelle de Paris, até ter sido parcialmente destruída no incêndio de 1541.

Catedral de S. Vito

A Catedral de S. Vito é a maior e a mais importante igreja de Praga e da República Checa. Foi fundada em 1344 e demorou 600 anos a ser construída. Foi aqui que santos, príncipes e reis foram enterrados.

No seu interior encontra-se o braço de S. Vito e as jóias da coroa. Se tiver interesse espreite o tesouro da catedral, é o maior do país e um dos mais importantes da Europa. Mas o ponto alto é a belíssima Capela dedicada a S. Venceslau, o santo patrono do país. Foi criada no século XIV por Carlos IV e é um espaço muito conhecido pela sua decoração.

Do alto da torre sul da Catedral, com quase 100 metros de altura, vai conseguir ter uma panorâmica extraordinária de Praga. Vale bem a pena subir os 287 degraus!

A construção desta torre teve início no século XIV e terminou 3 séculos mais tarde. Nela encontram-se vários sinos, sendo um deles o maior de toda a República Checa. É designado por Zikmund e pesa 15 toneladas.

Diz a lenda que quando o Imperador Carlos IV morreu os sinos começaram a tocar sozinhos. Outra lenda diz também que se o coração do Zikmund se partir alguma coisa muita má irá ocorrer no país. Já aconteceu uma vez, no no de 2002 e algumas semanas depois ocorreram indundações no país…

Pormenor do exterior da Catedral de S. Vito

Catedral de S. Vito

Basílica de S. Jorge

A Basílica de S. Jorge é a 2ª igreja mais antiga de Praga, tendo sido fundada por volta do ano 920. É facilmente reconhecida pelos 2 campanários de 41 metros de pedra branca.

Começou por ser um convento de freiras beneditinas, mas graças aos estragos provocados por um incêndio o edifício teve de ser reconstruído. O que vemos atualmente numa visita são paredes muito antigas e uma rica coleção de arte gótica e barroca.

Se tiver disponibilidade assista a um concerto de música nesta Basílica. A acústica é incrível!

Rua do Ouro

A Rua do Ouro (Golden Lane) é uma pequena rua com várias pequenas casas coloridas, muito bonitas. Foi uma das coisas que mais gostei em todo o complexo.

Foram construídas no fim do século XVI para habitação dos atiradores que guardavam o castelo. Ao todo eram 24 e como havia falta de espaço tiveram de ser construídas casas muito pequenas. O Imperador proibiu que existissem janelas para o Deer Moat e que as casas fossem vendidas ou alugadas.

Ao longo dos anos algumas casas foram destruídas e os atiradores já não eram necessários. A rua foi então ocupada por pessoas com outras profissões. No nº 22 morou o famoso escritor Franz Kafka e no nº 14 uma adivinha chamada Madame de Thebes que previu a queda do nazismo e foi presa (e morta) por isso.

O nome da rua teve origem na altura em que as casas foram ocupadas por ourives.

Torre Mihulka

A Torre Mihulka é a maior das torres de canhão. Foi construída no século XV e fazia parte das novas fortificações do castelo.

Já serviu de laboratório de alquimia, armazém de pólvora, calabouço e atualmente no seu interior encontra-se uma expoição permanente sobre a Guarda do castelo. A torre já teve vários nomes e o de Mihulka surgiu apenas do século XIX, devido à existência de pólvora no seu interior.

Palácio Rosenberg

O Palácio Rosenberg começou no século XVI, por ser um edifício renascentista que pertencia à família com o mesmo nome. Mais tarde foi reconstruído em estilo barroco e utilizado como Institrtuto de mulheres que pertenciam a famílias nobres. Aqui foram educadas 30 raparigas nobres, que por diversas razões ficaram pobres.

Desde o ano de 1919 que o Palácio se encontra ocupado por escritórios do governo.

 

Numa visita ao Palácio Rosenberg vai visitar a capela, o salão e uma exposição onde pode ficar a conhecer um pouco melhor o Instituto.

Para saber mais acerca de tantos séculos de história do complexo, aconselho a visitar as exposições permamentes sobre a história do castelo e a galeria de arte europeia (pintura) entre os séculos XV e XVIII.

Se for no verão, como eu, ainda pode visitar os jardins e uma enorme ravina designada de Stag Moat.

Num dia perfeito, comece por atravessar a magnífica ponte Carlos e suba até ao castelo. Demore-se a ver a vista e entre. Reserve umas horas para ver tudo com calma. Isto é Praga…

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