As gôndolas de Veneza devem ser das embarcações mais bonitas do mundo.

São típicas desta cidade situada no nordeste de Itália e fazem parte do imaginário romântico de muitos.

Os acabamentos e a estrutura das gôndolas que existem atualmente nos canais de Veneza, têm sofrido várias alterações ao longo dos tempos. As embarcações foram acompanhando as transformações da cidade.

História

O início da história remonta ao ano de 1094, quando estava no poder o Doge Vitale Faliero Dodoni, membro de família nobre veneziana. Este deu aos habitantes da cidade “gondulam” para que estes pudessem deslocar-se pelos canais e para tentar apaziguar a fúria popular. A sua eleição decorreu de um clima de revolta. Vitale subiu ao poder depois do anterior Doge ter sido deposto.

E assim surgiram as primeiras gôndolas, que foram rapidamente adotadas pelos venezianos. O objetivo do Doge era que os principais utilizadores fossem os camponeses, mas na realidade eram os mais ricos que utilizavam este meio de transporte.

Ao longo dos anos Veneza transformou-se numa próspera cidade comercial e as gôndolas tornaram-se um meio de transporte de grande prestígio. Eram conduzidas por dois gondoleiros e tinham uma cobertura que protegia das intempéries e dos olhares curiosos.

As cores das gôndolas eram diferentes de acordo com o seu proprietário. Era um mar de cor e imensa ostentação pelos canais de Veneza. Até que em 1633 o governo indicou que todas as gôndolas (com exceção das do governo) fossem pretas e que tivessem apenas um elemento decorativo. A cor preta provinha do alcatrão que fornecia uma melhor impermeabilização às embarcações.

Em 1884 o construtor de gôndolas Domenico Tramotin criou uma mais ágil e conduzida por um único gondoleiro. Havendo um único manobrador a remar no lado direito da gôndola, esta inclinava-se para o lado oposto. Tramotin teve então a ideia de curvar o casco e encurtar o lado direito para equilibrar a força do remo. O remo passou a servir de leme. E este é um pormenor único.

A estrutura da gôndola é então assimétrica, navegando sempre inclinada para o lado. O fundo é achatado o que permite navegar em locais com pouca profundidade.

Com o passar dos anos foi sendo modernizada e deixou de existir a cobertura, permitindo uma perspetiva mais ampla aos seus utilizadores. A gôndola de hoje em dia resulta de um compromisso entre a parte estética e fatores de navegabilidade. É uma embarcação única no mundo.

Gondoleiros

Únicos são também os gondoleiros com as suas belas camisas listradas, uma autêntica imagem de marca de Veneza. É uma profissão que tradicionalmente passa de pai para filho, sendo necessário obter uma licença, que é apenas emitida 3 ou 4 vezes por ano.

Conduzir uma gôndola está associado a uma tradição muito forte, muito antiga. Talvez por isso tenham um dialeto específico e apenas no recente ano de 2010 tenha surgido a primeira gondoleira…

Ir a Veneza e passear de gôndola é mais do que recomendado, é obrigatório. É uma experiência realmente extraordinária.

Deve andar de noite quando cai uma aura de misticismo na cidade e nos canais. Passe pelo atribulado Rialto mas depois peça ao gondoleiro (ou gondoleira!) que o leve para os canais menos conhecidos. Peça-lhe para cantar. É algo que se vê bastante por lá.

E de repente está a percorrer de gôndola um canal sem mais ninguém. Apenas o leve som do remo e de uma bela música italiana. É pura magia. Não se esqueça de passar por baixo da Ponte dos Suspiros!

Pin It on Pinterest

Share This