Estive em Marrocos (em em Marrakesh) pela primeira vez em 2000 e apartir daí já voltei várias vezes. Espero ir muitas mais. Adoro conhecer lugares novos onde nunca estive, mas também de regressar aos que me deixaram apaixonada.

A ideia que tinha de Marrakesh era que esta deveria ser uma cidade encantadora e fascinante. O palco perfeito de uma história das 1001 noites… Quando lá estive a primeira vez percebi que era tudo o que eu tinha imaginado e muito mais.Está tão perto de Portugal e é um mundo totalmente à parte. Outra cultura, paisagem, língua e hábitos de vida.

Marrocos

Na primeira visita a Marrocos andei por lá quase um mês. Para explorar com tempo os principais locais penso que é o tempo adequado (claro que se puderem devem ficar mais tempo!). Eu aterrei em Casablanca e segui para norte. Explorei Tânger, Tétouan e Chefchaouen, a lindissima cidade azul. Das três este última cidade foi o minha preferida. Percorre-la é uma experiência quase mística, pois parece que percorremos o azul do céu.

Depois segui (também de comboio) para sul e estive em Rabat, Meknés e Fez. Esta é a cidade imperial mais antiga do país e onde se encontra o famoso bairro de curtidores. Seguidamente fui ainda mais para sul, para a cidade rosa, Marrakesh. Esta cidade que deu nome ao país localiza-se na zona norte do Atlas, a maior cadeia montanhosa do continente africano.

Marrakesh

Em Marrakesh (e na grande maioria das restantes cidades), a zona mais importante a visitar é a medina. É o centro histórico da cidade e a zona mais interessante. No caso desta cidade a medina encontra-se delimitada por uma muralha com um perímetro de 19 km, aproximadamente 2 metros de largura e até 9 metros de altura. Tem uma cor avermelhada como o resto da cidade. Existem mais de uma dezena de portas na muralha, sendo uma das mais bonitas a Bab Agnou. O nome vem do berbere “carneiro negro sem chifres” e a fachada é impressionante.

No interior da medina encontra-se a mesquita Koutoubia e a Kasbah, os vários souks (mercados) e a mellah (bairro judaico). Os souks encontram-se organizados de acordo com o tipo de produtos que são vendidos. Existem os dos instrumentos e cordas, jarros, do bronze e cobre, metal, da cestaria e madeira, dos chinelos e cintos, da joalharia, dos artigos de pele, tapetes, da pele de cabra ou dos tintureiros.

Praça jemaa el-Fna

Contudo o coração da medina e a sua parte mais fascinante é a Praça Jemaa el-Fna, considerada Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO no ano de 2008.

É um local onde se vê o povo e os seus ancestrais costumes. É predominante o constante ir e vir dos marroquinos, das carruagens, motas e dos carros de mão  a qualquer hora. E vai ficando mais frenético ao longo do dia.

Depois da cidade acordar aparecem bancas de deliciosas tâmaras e de sumarentas laranjas, encantadores de serpentes e treinadores de macacos e mulheres que lêm a sina ou que fazem tatuagens com hena. Surgem também os famosos aguadeiros, com os seus trajes característicos super fotogénicos. É imperdível provar uma tâmara e um sumo de laranja natural.

Há medida que o sol se vai pondo a praça Jemaa el-Fna vai mudando, intensificando-se o ritmo de todo o que por lá se passa. Começam a chegar as bancas dos restaurantes e começa a ver-se o fumo dos cozinhados, de forma gradual, até que ao final da noite é apenas uma nuvem de fumo única. O aroma das especiarias é sentido bem longe… Aqui pode-se saborear uma bela tajine com um chá de menta.

Além destas bancas aparecem também marroquinos que contam histórias, que cantam, desenham, dançam ou que trazem jogos. Mesmo não percebendo árabe é muito interessante assistir a todos este espetaculos que vão surgindo e quem sabe até participar.

Marrocos

Um pouco por toda a medina e em especial mnas ruas mais próximas da praça pode encontrar vários locais muito interessantes para tomar uma refeição. E há para todos os gostos. Desde locais mais elegantes em que parece que estamos numa qualquer cidade europeia e outros de estilo mais marroquino. Mas o que aconselho é comer na praça, nas bancas que descrevi. Aqui é possível comer bem, barato e com os verdadeiros habitantes da cidade.

É imperdível também beber um típico chá de menta num dos cafés que têm vista direta para a Jemaa el-Fna. O espetáculo Jemaa el-Fna todos os dias é diferente. “Alberga uma rica e inatingível tradição oral”, como disse Juan Goytisolo. Pelo menos uma vez, vá fazer parte deste espetáculo único no mundo. É pura magia.

Marrocos

Da primeira vez que fui a Marrocos, saindo de Marrakesh andei também pelo deserto. Os mais de 500km que separam Marrakesh e a aldeia berbere de Merzouga é lindissimo e surpreende, pelo que recomendo. Este percurso já não foi de comboio, mas de carro (aluguei).

Ir ao deserto, às dunas Erg Chebbi, foi uma das melhores experiências que tive na minha vida. Toquei djambé com tuaregues, tive uma conversa muito interessante sobre religião com um deles sob um imenso céu estrelado. Subi muito alto a uma duna para estar um pouco mais perto das estrelas, assisti ao nascer-do-sol numa duna e e ouvi o silêncio. Nunca antes tinha ouvido verdadeiramente o silêncio.

Foi memorável.

De todas as outras vezes que voltei a Marrocos estive menos tempo, tendo-me concentrado em áreas específicas. De cada uma das visitas estive sempre em Marrakesh… É a cidade que mais gosto, do mundo que conheço.

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