O relógio astronómico de Praga

O relógio astronómico de Praga

Praga é a capital da República Checa e na minha opinião, uma das mais belas cidades da Europa. Visitei no mês passado e adorei. Tenho a certeza de que irei voltar.

O centro histórico é lindo, com edifícios excepcionais, um castelo imponente e uma ponte que é uma das mais famosas do mundo. Todo o centro histórico é Património UNESCO.

O relógio astronómico

Localização do relógio

Na cidade de Praga existem 2 margens, que são divididas pelo rio Vltava:

  • De um lado Malá Strana (cidade pequena) e Hradcany – É na cidade pequena que se localiza o Castelo;
  • Na outra margem: Staré Mesto (cidade velha), Nové Mesto (cidade nova), Josefov (bairro judeu) e Vysehrad.

Na fachada da antiga Câmara Municipal, localizada no coração da cidade velha, encontramos um dos pontos mais emblemáticos de Praga. É o relógio astronómico, um dos mais antigos e elaborados do mundo. Além de marcar as horas, também indica as fases da lua e o movimento das estrelas… É um monumento à observação dos céus.

Aliás, a função principal do relógio astronómico era descrever o movimento dos corpos celestes, mostrando que o tempo era apenas um elemento secundário…

Passei lá várias vezes e a quantidade de turistas a observar e fotografar é inacreditável. Desde junho de 2017 que este edifício se encontra em reparação, estando encerrado o acesso interior ao público e parcialmente tapado o seu exterior. Vai ver isso nas fotografias deste artigo.

Se estiver a pensar ir a Praga, faça-o de preferência só para o ano. As obras terminam no final de 2017.

A construção do relógio

O edifício da Câmara Municipal foi criado no ano de 1338 e tinha como objetivo inicial ser a sede da administração da cidade velha. Alguns anos mais tarde, foi adicionada uma torre a sul e em 1410 foi instalada na sua fachada o relógio astronómico.

Esta obra-prima foi realizada pelo relojoeiro real Mikuláš de Kadaň e aperfeiçoada no final do século XV pelo mestre Hanuš de Růže. Existe uma lenda que indica que foi Hanuš que construiu o relógio, mas isto não é verdade. A lenda diz também que para o mestre não tornar a fazer outro relógio igual, os conselheiros de Praga mandaram-no cegar. Mas como vingança Hanuš parou o relógio…

Na realidade o relógio astronómico de facto parou, mas foi bem mais tarde , já no século XIX. O seu mecanismo foi reparado pelo seu relojoeiro Ludvík Hainz.

Praga era constituida por 4 cidades que no século XVIII se uniram e a Câmara Municipal tornou-se a sede de toda a cidade. Nesta altura existiu uma proposta para remover o relógio da fachada da torre, mas felizmente não foi aceite.

Desde então têm sido realizadas várias ações de melhoria no relógio, no sentido de o preservar e melhorar alguns mecanismos. Interessante saber que apesar de o relógio já ter vários séculos, ainda há partes que são as originais…

As 3 partes do relógio astronómico

Parte 1 – Os 12 apóstolos

No topo encontram-se 12 estatuetas mecânicas que representam os 12 apóstolos. Estas imagens foram acrescentadas no século XVII ao relógio. Durante o incêndio de 1945 as estatuetas foram destruídas, tendo sido substituídas por estátuas de madeira feitas por Vojtěch Sucharda 3 anos mais tarde.

À hora certa, entre as 9h e as 23h, pode ver um desfile das estatuetas nas 2 pequenas janelas sob o telhado. Vai reconhecer cada um dos apóstolos porque têm um atributo que os identifica.

Além dos apóstolos à hora certa também outras estatuetas “ganham vida” O esqueleto, que tem uma ampulheta na mão que mede o tempo, puxa a corda e dá início ao desfile. Acena a cabeça ao turco, que simboliza a extravagância. O turco recusa.

O avarento mexe a cabeça e sacode a sua bengala e bolsa, em sinal de ameaça, enquanto mesmo ao seu lado a estátua que representa a vaidade olha-se ao espelho. Estas figuras são símbolos da sociedade medieval de Praga.

Quando o galo canta, todos os movimentos são finalizados e o relógio astronómico adormece mais uma hora.

Parte 2 – O mostrador astronómico

O relógio astronómico tem mais de 600 anos e é único no mundo. No astrolábio podemos obter diversa informação. O astrolábio é um instrumento astronómico utilizado para determinar a hora local, assim como a posição do sol, da lua e das estrelas. Esta era a percepção medieval do universo.

O que existe na torre da antiga Câmara Municipal de Praga é um enorme círculo com 2 discos círculares mantidos juntos no centro. A parte superior representa o dia e a inferior a noite. Na parte inferior podemos ver com 2 cores o nascer e o pôr do sol, à esquerda e direita respetivamente. Basta olhar para a localização do sol e confirmamos qual a altura do dia em que estamos!

Ao observar o astrolábio atentamente podemos também saber:

  • Hora da antiga Boémia – os números góticos indicam as horas que passaram desde o pôr-do-sol, que era o início do novo dia;
  • Hora da Babilónia –os números árabes medem as horas entre o nascer e o pôr-do-sol, pelo que os dias no verão e no inverno têm durações diferentes;
  • Hora da Europa Central ou Hora antiga Alemã – a mão dourada indica a hora que é utilizada por todos nós. O dia começa à meia noite;
  • Hora das estrelas – é mostrado no mostrador numeral romano e deriva do movimento das estrelas;
  • Nascer e pôr-do-sol – a localização do sol nas 3 regiões de cores diferentes indica se é dia ou noite. Os momentos do nascer e pôr-do-sol ocorrem nos limites das cores;
  • Signos do zodíaco – marcado pelos 12 símbolos do zodíaco;
  • Posição e fases da lua- uma bola viaja através do mostrador, realizando uma volta de 29 dias e meio (mês lunar) e mudando o seu aspeto de acordo com as fases da lua;
  • Declinação do sol – pela posição do sol nos círculos dourados, que representam o trópico de câncer, de capricórnio e o equador;
  • Equinócio e solstício – pela posição da luz do sol nas barras que ligam o anel do zodíaco ao relógio.

Parte 3 – Mostrador do calendário

Esta é a parte mais nova do relógio astronómico, tendo sido acrescentada ao relógio astronómico no século XIX.

A parte mais importante é o cisiojanus, o dispositivo mnemónico utilizado para lembrar as festas mais importantes. Esta informação encontra-se no anel mais exterior. O principal responsável por este dispositivo foi Karel Jaromír Erben, um historiador, poeta e escritor checo.

No mostrador do calendário existe também informação dos signos do zodíaco e dos dias e meses do ano. Para verificar a data atual é só consultar o que está no topo.

Além do símbolo da cidade velha encontramos também as estátuas do filósofo, arcanjo Miguel, astrónomo e do cronista.

Mostrador do calendário

 

O castelo de Praga

O castelo de Praga

Numa visita a Praga o seu castelo é algo absolutamente incontornável. Vai vê-lo quando atravessar a ponte Carlos, a mais antiga e famosa da cidade. Recomendo também que não fique só por aqui e que dedique algum tempo (uma manhã ou tarde) para uma visita ao seu interior.

O castelo é um símbolo super importante não só de Praga mas de toda a República Checa. É a sede do poder político e religioso, tendo sido residência da família real da Boémia e do Bispo de Praga e da presidência da república a partir de 1918. É o maior complexo de castelos do mundo, de acordo com o Guiness Book of World Records, ocupando uma área de 70.000 m2. É também Património Mundial da UNESCO.

Na minha opinião são 2 razões fortíssimas para pensar ir (ou regressar) brevemente a Praga 🙂

Qual a história do castelo?

O castelo de Praga foi fundado aproximadamente no ano de 880 pelo príncipe Bořivoj, o 1º Duque da Boémia. Este príncipe foi o 1º elemento real da Dinastia Přemyslid, que governou a Boémia durante 400 anos, até ao ano de 1306.

Bořivoj pretendeu estabelecer-se num sitio com uma localização mais vantajosa, no topo de uma colina, junto ao rio Vltava. E assim começou o enorme complexo que vemos hoje.

A 1ª construção de todas foi uma fortaleza de madeira e mais tarde é foram construidas edifícios de pedra. A Igreja de Santa Maria, que já não existe atualmente (apenas algumas ruínas) e a Basílica de São Jorge foram as primeiras.

Ao longo dos anos, por inicitiava dos sucessivos monarcas foram construídas várias igrejas e outros edifícios. No século XIV, por iniciativa do Imperador Carlos IV, a aparência do castelo sofreu algumas alterações. Este Imperador é o que deu nome à ponte mais antiga e famosa de Praga. Na sua época foi iniciada a construção da Catedral de S. Vito e ocorreram algumas alterações nas fortificações do castelo e no palácio. A família real passou a residir no castelo.

Até ao dia de hoje muitas alterações ocorreram, pelo contexto de diferentes reis e imperadores, pelos estilos que se encontravam em voga numa determinada altura, pelo incêndio de 1541 ou pelos vários conflitos armados ocorridos. De tantos acontecimentos decorridos nos séculos resultou um complexo com edifícios de estilo totalmente diferente.

O que podemos visitar?

No interior do castelo existem vários palácios, edifícios eclesiásticos, escritórios de vários estilos arquitetónicos, construídos ao longo de vários séculos. De seguida vou falar um pouco mais daqueles locais que poderão ser considerados “obrigatórios”.

Antigo Palácio Real

A área subterrânea é a mais antiga de todo o complexo. O Palácio foi morada de príncipes e reis da Boémia até ao século XVI, tendo sido construído sob as ruínas de um Palácio Romanesco, obra do príncipe Soběslav.

Existem vários pontos de interesse, mas é de destacar o Vladislav hall. É uma enorme divisão que foi feita entre 1492 e 1502 por Vladislav, que lhe deu o nome. É um espaço enorme com janelas de 5 metros de altura, piso de madeira do século XVIII e candelabros de lata (apenas 3 dos 5 são de lata).

O Vladislav Hall já foi utilizado para a realização de vários eventos, tais como banquetes,corações, assembleias ou torneios. Atualmente o salão é utilizado para cerimónias de estado e eleições presidenciais.

Igualmente de destacar no antigo Palácio Real é a Igreja de todos os Santos. Foi construída por Petr Parler no local onde se encontrava uma igreja Romanesca, igualmente consagrada a todos os Santos. Esta Igreja encontrava-se decorada à semelhança de Sainte Chapelle de Paris, até ter sido parcialmente destruída no incêndio de 1541.

Catedral de S. Vito

A Catedral de S. Vito é a maior e a mais importante igreja de Praga e da República Checa. Foi fundada em 1344 e demorou 600 anos a ser construída. Foi aqui que santos, príncipes e reis foram enterrados.

No seu interior encontra-se o braço de S. Vito e as jóias da coroa. Se tiver interesse espreite o tesouro da catedral, é o maior do país e um dos mais importantes da Europa. Mas o ponto alto é a belíssima Capela dedicada a S. Venceslau, o santo patrono do país. Foi criada no século XIV por Carlos IV e é um espaço muito conhecido pela sua decoração.

Do alto da torre sul da Catedral, com quase 100 metros de altura, vai conseguir ter uma panorâmica extraordinária de Praga. Vale bem a pena subir os 287 degraus!

A construção desta torre teve início no século XIV e terminou 3 séculos mais tarde. Nela encontram-se vários sinos, sendo um deles o maior de toda a República Checa. É designado por Zikmund e pesa 15 toneladas.

Diz a lenda que quando o Imperador Carlos IV morreu os sinos começaram a tocar sozinhos. Outra lenda diz também que se o coração do Zikmund se partir alguma coisa muita má irá ocorrer no país. Já aconteceu uma vez, no no de 2002 e algumas semanas depois ocorreram indundações no país…

Pormenor do exterior da Catedral de S. Vito

Catedral de S. Vito

Basílica de S. Jorge

A Basílica de S. Jorge é a 2ª igreja mais antiga de Praga, tendo sido fundada por volta do ano 920. É facilmente reconhecida pelos 2 campanários de 41 metros de pedra branca.

Começou por ser um convento de freiras beneditinas, mas graças aos estragos provocados por um incêndio o edifício teve de ser reconstruído. O que vemos atualmente numa visita são paredes muito antigas e uma rica coleção de arte gótica e barroca.

Se tiver disponibilidade assista a um concerto de música nesta Basílica. A acústica é incrível!

Rua do Ouro

A Rua do Ouro (Golden Lane) é uma pequena rua com várias pequenas casas coloridas, muito bonitas. Foi uma das coisas que mais gostei em todo o complexo.

Foram construídas no fim do século XVI para habitação dos atiradores que guardavam o castelo. Ao todo eram 24 e como havia falta de espaço tiveram de ser construídas casas muito pequenas. O Imperador proibiu que existissem janelas para o Deer Moat e que as casas fossem vendidas ou alugadas.

Ao longo dos anos algumas casas foram destruídas e os atiradores já não eram necessários. A rua foi então ocupada por pessoas com outras profissões. No nº 22 morou o famoso escritor Franz Kafka e no nº 14 uma adivinha chamada Madame de Thebes que previu a queda do nazismo e foi presa (e morta) por isso.

O nome da rua teve origem na altura em que as casas foram ocupadas por ourives.

Torre Mihulka

A Torre Mihulka é a maior das torres de canhão. Foi construída no século XV e fazia parte das novas fortificações do castelo.

Já serviu de laboratório de alquimia, armazém de pólvora, calabouço e atualmente no seu interior encontra-se uma expoição permanente sobre a Guarda do castelo. A torre já teve vários nomes e o de Mihulka surgiu apenas do século XIX, devido à existência de pólvora no seu interior.

Palácio Rosenberg

O Palácio Rosenberg começou no século XVI, por ser um edifício renascentista que pertencia à família com o mesmo nome. Mais tarde foi reconstruído em estilo barroco e utilizado como Institrtuto de mulheres que pertenciam a famílias nobres. Aqui foram educadas 30 raparigas nobres, que por diversas razões ficaram pobres.

Desde o ano de 1919 que o Palácio se encontra ocupado por escritórios do governo.

 

Numa visita ao Palácio Rosenberg vai visitar a capela, o salão e uma exposição onde pode ficar a conhecer um pouco melhor o Instituto.

Para saber mais acerca de tantos séculos de história do complexo, aconselho a visitar as exposições permamentes sobre a história do castelo e a galeria de arte europeia (pintura) entre os séculos XV e XVIII.

Se for no verão, como eu, ainda pode visitar os jardins e uma enorme ravina designada de Stag Moat.

Num dia perfeito, comece por atravessar a magnífica ponte Carlos e suba até ao castelo. Demore-se a ver a vista e entre. Reserve umas horas para ver tudo com calma. Isto é Praga…

Uma maravilha chamada Alhambra

Uma maravilha chamada Alhambra

Granada é uma cidade magnífica. Encontra-se na Andaluzia que é uma comunidade autónoma de Espanha, localizada no sul do país. É uma região carismática e na minha opinião, extremamente interessante do ponto de vista paisagístico e histórico.

Toda a região da Andaluzia esteve ocupada pelos árabes durante vários séculos e o último reduto de toda a península ibérica foi Granada. Só em 1492 e depois de vários anos de luta, é que os reis católicos conseguiram reconquistar a cidade aos árabes.

O seu enquadramento paisagístico é perfeito. A cidade fica a cerca de 20 km da Serra Nevada, a 3ª maior cadeia montanhosa da Europa. O pico chega aos 3482 metros. O Alhambra, o monumento mais conhecido e o símbolo de Granada, encontra-se no topo de uma colina de nome al-Sabika, a aproximadamente 700 metros de altitude e tem a Serra Nevada como enquadramento. É perfeito.

A colina localiza-se na margem do rio Darro, a oeste de Granada. Do lado oposto do rio encontram-se os famosos bairros de Albaicin e Alcazaba.

Acredite que a 1ª impressão que vai ter do Alhambra vai ser magnífica, mas o verdadeiro encanto é o interior…. Quase em qualquer altura do ano existem imensas pessoas a querer visitar. Faço como eu, acorde de madrugada e vá para a fila. Vale a pena 😉

O que quer dizer Alhambra?

O nome de Alambra tem origem no árabe “qa,lat al-Hamra”, que significa castelo vermelho. Portanto, o seu nome está relacionado com o facto de as suas paredes serem avermelhadas.

O que é o Alhambra?

O complexo do Alhambra é a cidadela árabe mais espetacular do mundo. É uma cidade com muralhas onde se encontram aposentos reais, imensos jardins, pátios e muitas outras coisas.

 Quem construiu o Alhambra?

As primeiras referências ao Alhambra são do século IX, onde existe referência a uma fortaleza. Mas foi um pouco mais tarde, já no século XIII com a dinastia Nasrida que o Alhambra foi ocupado pela família real. Mohammed ben Al-Hamar foi o 1º rei desta dinastia e foi ele o 1º a ocupar o complexo. E com este evento começou a período glorioso do Alhambra.

Ao longo do tempo outros reis lhe sucederam e foram sendo realizadas alterações ao Alhambra. Mesmo depois de Granada ter sido reconquistada pelos reis cristãos, continou a ser alvo de algumas modificações. Uma parte foi demolida, tendo o espaço sido substituído pelo Palácio Carlos V e surgiram áreas novas como as Câmaras do Imperador e o Vestiário da Rainha.

No século XVIII no decorrer da ocupação francesa, ocorreu uma explosão no Alhambra o que provocou sérios estragos. A partir do século seguinte começaram as ações de recuperação, que continum até aos dias de hoje.

O que podemos ver no Alhambra?

No interior do Alhambra podemos visitar 4 áreas distintas, sendo elas, a Alcazaba, o Palácio Carlos V, o Generalife e o Palácio Nasrid.

1 – Alcazaba

O conjunto formado pela Alcazaba e pelas as torres Bermejas é a parte mais antiga de todo o complexo, sendo do século IX. Esta citadela tinha como objetivo vigiar e controlar a cidade de Granada. As torres Bermejas, que devem o seu nome à cor das suas paredes, pertenciam a um conjunto de torres de vigia, que eram a torre de la Quebrada, del Homenaje e de la Vela.

Estas torres foram as primeiras defesas militares da cidade e uniram-se à Alcabaza algum tempo depois de serem construídas. Foi já enquanto conjunto que se uniram através de uma muralha ao Alhambra.

De toda esta zona, temos uma vista soberba para o restante complexo do Alhambra e para a magnífica cidade de Granada.

Alcazaba

Alcazaba

Alcazaba

Alcazaba

2 – Palácio Carlos V

O Palácio Carlos V é uma das obras mais importantes realizadas na época do Renascimento. O rei de Espanha e imperador da Alemanha, D. Pedro V visitou Espanha no decorrer da sua lua-de-mel. Gostou tanto que escolheu Granada para morar e mandou construir um magnífico palácio no Alhambra para essa finalidade.

O arquiteto responsável pela obra foi Pedro Machuca, que foi formado no meio artítsico de Roma, tendo sido discípulo de Miguel Ângelo. E devido a esta influência criou algo totalmente inovador em Espanha. A particularidade mais interessante é que o palácio tem um fomato redondo no interior, apesar das paredes externas apresentarem um forma quadrada.

Atualmente no Palácio Carlos V existe o museu de Belas Artes e o do Alhambra. Carlos V acabou por nunca conseguir morar no espaço que mandou construir….

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

Palácio Carlos V

3 –Generalife

O Generalife era um local de descanso e lazer para os reis e sultões de Granada, assim como a sua área agrícola. O seu nome significa jardim de arquiteto, o que remonta às suas origens, antes de ser património real.

Neste espaço existem 2 edíficos ligados através do Patio de la Acequia, que é um dos locais mais emblemáticos e fotografados de todo o Alhambra. Neste patio existe o canal de irrigação real que encaminha água para os jardins e para todo o complexo.

É pura magia todo conjunto de factores como ambiente, som da água, estilo árabe, luz e plantas.

Generalife

Generalife

Generalife

Generalife

4 – Palácios Nasridas

Os Palácios Nasridas eram a antiga residência dos sultões e são o coração de todo o complexo do Alhambra.

Aqui podemos encontrar algumas construções cristãs (como a sala do Imperador), mas a zona principal e mais famosa é composta por estes 3 palácios:

  • Mexuar ou Meshwar – é a zona mais antiga. Este espaço servia para a realização de reuniões dos ministros do rei e também como tribunal;
  • Comares – era a residência oficial do sultão e é onde se encontra a sala do trono. Tem um belissímo lago;
  • dos Leões – este é o palácio mais emblemático, por ter o pátio central com os leões e o miradouro Daraxa.

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

Palácios Nasridas

O mais dificil é entrar nestes palácios, às 6h30 da manhã já eu estava na fila para conseguir entrar! Não há hora marcada para entrar no Alhambra mas nos Palácios Nasridas sim. Mas valeu muito a pena, é uma maravilha. Adorei.

Uma vez li que por vezes o todo é mais do que a soma das partes. O Alhambra é assim

A Catedral de Sevilha (e a Giralda)

A Catedral de Sevilha (e a Giralda)

Quando chegamos ao coração da cidade de Sevilha vemos imediatamente a Catedral, Santa Maria de la Sede. É um monumento majestoso, sendo a maior Catedral da Europa e uma das maiores do mundo. No estilo gótico é a maior do mundo! Tem 126 metros de comprimento, 83 metros de largura e altura máxima de 37 metros. A área completa ocupada pela igreja é de 23.500m2.

Na sua proximidade encontra-se o Alcazar e o Arquivo das Índias, que também são 2 locais maravilhosos. Juntos formam um complexo que é património da UNESCO desde 1987.

É algo que não pode perder numa visita a Sevilha. Irei falar noutros artigos do Alcazar e Arquivo dos Índias, neste irei focar-me apenas na Catedral.

A história

Como expliquei no artigo sobre a história da Andaluzia, existiu nesta região uma ocupação muçulmana durante muitos anos. No século XII um povo árabe proveniente de Marrocos designado de Almóada, substitui o controle da região da Andaluzia da dinastia dos Almorávidas.

Os Almóadas decidiram transferir a capital do seu reino para Sevilha e construiram uma Mesquita (com um minarete). Foi também no decorrer desta época que foi construído o minarete da mesquita Koutoubia em Marrakesh. É interessante verificar as semelhanças de ambas as estruturas.

Alguns anos mais tarde, já no século XIII Sevilha foi reconquistada pelos cristãos, por Fernando III, Rei de Castela. Com a chegada de uma nova religião a Sevilha, a mesquita existente passou a ser utilizada para a prática do culto cristão. Em 1248 a mesquita foi consagrada Catedral.

Pouco tempo depois de Sevilha se ter tornado novamente cristã, ocorreu um grande terramoto, que causou grandes danos na cidade. O maior estrago foi a queda de 4 esferas de bronze que se encontravam no topo do minarete da antiga mesquita. Susbtitui-se então esta peça por uma estrutura com sino, já na linha da doutrina cristã.

No ano de 1403 começaram a ser realizadas obras na antiga mesquita, para que fosse construída uma nova Catedral. Este processo demorou mais de 100 anos, mas mesmo depois de terminadas as obras foram sempre existindo algumas alterações e reformulações ao edifício original. Hoje em dia podemos dizer que abrange 7 séculos de história.

Num dos processos de restauro colocou-se uma estátua no topo do campanário, antigo minarete, para representar a Fé. Essa estátua de bronze, pesa pouco mais de 1 tonelada, tem forma de cata-vento e chama-se Giraldillo. Com o tempo, a torre passou a designar-se Giralda.

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

A Catedral – pormenor exterior

 

O que ver

1 – Giralda

Do alto da Giralda temos uma vista formidável da cidade de Sevilha. O campanário em si também é fantástico, com decoração com motivos geométricos entrelaçados e janelas trabalhadas. Tem uma altura de 96 metros.

Este campanário influenciou a construção de várias torres em Espanha e mais tarde nas Américas.

A Giralda

2 – Réplica do Giraldillo

A estátua que se encontra no topo do campanário tem uma réplica localizada na Puerta del principe da Catedral.

3 – Pátio das laranjeiras

Atravesse uma porta Almóada até ao Patio de los Naranjos. Chegou ao que resta de uma mesquita do século XII. Na fonte que existe neste espaço era onde os muçulmanos faziam as suas abluções antes da oração. Era debaixo das laranjeiras que os pés e mãos eram lavados.

Hoje em dia este pátio é utilizado como local de acesso à Catedral.

4 – Nave central e 80 capelas

A nave central eleva-se a uns impressionantes 42 metros, é gigantesca. Possui uma quantidade enorme de ouro, que imediatamente chama a atenção de quem visita a este monumento.

No interior da Catedral existe um total de 80 capelas e 5 naves. Esteja atento aos pormenores, é pura ostentação…

5  – Retábulo da Capela Maior

O retábulo da Capela Maior é uma enorme peça de arte de ouro e madeira que demorou 80 anos a ser construída. É um dos melhores exemplos de escultura gótica de todo o mundo.

No retábulo encontram-se representadas 45 cenas esculpidas da vida de Cristo e de Santa Maria de la Sede, a santa padroeira da Catedral. O autor desta peça foi o escultor Pierre Dancart.

6 – Sala do Capítulo e Sacristia Maior

A sala do Capítulo, também chamada de Cabildo, tem um formato elíptico e é uma das mais belas obras de arquitetura do Renascimento. Foi criado por Hérnan Ruiz. Neste salão encontram-se as obras do pintor Bartolomé Esteban Murillo, sendo de destacar a sua pintura chamada de Inmaculada Concepción.

Junto a este espaço encontra-se a Sacristia Maior onde está o tesouro, que consiste num conjunto de peças riquissimas.

7 – Túmulo de Cristóvão Colombo

Este é um dos locais mais visitados da Catedral. Os restos mortais de Cristóvão Colombo que foram trazidos de Cuba, possui 4 portadores que representam os reinos de Castela, Leão, Aragão e Navarra.

O simbolo de Estocolmo

O simbolo de Estocolmo

O edifício onde se encontra a Câmara Municipal de Estocolmo é o símbolo da cidade. Localiza-se no centro, na ilha de Kungsholmen, mesmo junto à água. É um dos projetos suecos mais importantes do século XX e onde se realizam as cerimónias anuais dos prémios Nobel. Numa visita à capital sueca recomendo ir visitar.

História

No ano de 1907 a cidade de Esocolmo decidiu construir uma nova Câmara Municipal. O local escolhido para o edifício foi onde há uns anos atrás se encontrava uma antigfa fábrica de moagem de farinha. O nome da fábrica era Eldkvarn.

Foi nesta fábrica, construída no século XIX, que ocorreu em 1878, um dos grandes incêndios de Estocolmo. Esteve em funcionamento até 1906.

Ocorreu então um concurso para verificar qual seria o arquiteto que iria ficar responsável pelo projeto da nova Câmara Municipal. Ganhou Ragnar Ostberg, o principal arquiteto do estilo Romântico Nacional.

Pelo que se sabe Ostberg modificou algumas vezes o projeto original do edifício, tendo acrescentado a torre que vemos hoje, cuja ideia teria sido de um dos outros arquitetos que entraram no concurso. O magnífico design interior teve também influência de vários artistas suecos.

Após 12 anos de construção, a Câmara Municipal foi inaugurada. Foi no dia a 23 de junho de 1923, exatamente 400 anos depois da chegada do Rei Gustav Vasa a Estocolmo.

O edifício da Câmara Municipal foi construído com cerca de 8 milhões de tijolos vermelho escuros. Os tijolos são chamados de “munktegel” porque eram normalmente utilizados em na construção de mosteiros e igrejas.

O que ver

Se virmos ao longe a Câmara Municipal penso que seja difícil imaginar que no seu interior existem 2 pátios, vários escritórios, salas de reuniões e grandes salões de banquetes inspirados pelos palácios da época do Renascimento.

 Torre

Ao longe, quando vemos a Câmara Municipal, destaca-se a torre com 106 metros. No cimo da torre encontra-se o símbolo heráldico da Suécia, as Três Coroas.

Depois de subir os 365 degraus de umas sinuosas escadas (pode subir uma parte com elevador) poderá ter uma panorâmica fantástica da cidade de Estocolmo.

Também pode visitar um pequeno museu com réplicas de estátuas e bustos, que se encontra a meio da torre.

Câmara do Conselho

Este é um dos locais mais impressionantes da Câmara Municipal. Tem capacidade para 200 pessoas e é onde são realizadas as reuniões do Conselho Municipal de Estocolmo.

O teto desta sala faz lembrar uma casa viking tradicional.

Sala Oval

Esta sala foi criada especificamente para os tapetes Tureholm, feitas em França no século XVII. Atualmente é muito utilizada para celebrar casamentos.

Salão Azul

O salão azul é o maior de toda a Câmara Municipal. Mas embora tenha o nome de azul, na realidade não é desta cor.

A ideia original era de facto pintar este local de azul, mas Ostberg acabou por não querer tapar os tijolos utilizados na construção da Câmara. Mas como o local já era conhecido como salão azul, assim permaneceu.

Este salão é muito conhecido, pois é aqui que é realizado o Banquete do Prémio Nobel. Acontece todos os anos a 10 de dezembro, dia em que Alfred Nobel morreu.

Destaca-se também para o maior órgão da Escandinávia, com 10270 canos.

Salão Dourado

No salão dourado podemos ver mais de 18 milhões de peças de mosaico feitas de vidro e ouro, que retratam a história da Suécia.

Este é um espaço onde pode ser dado um banquete para até 700 pessoas.

Galeria do principe

Todas as receções oficiais são ralizadas na Galeria do Príncipe. O elemento mais importante é o fresco que foi pintado pelo Príncipe Eugen, que o doou à Câmara.

A Câmara Municipal de Estocolmo apenas pode ser visitada através de uma visita guiada. Aconselho verificar toda a informação no site oficial. Não deixe de visitar também o jardim.

O templo mais antigo de Chiang Mai

O templo mais antigo de Chiang Mai

Chiang Mai é a segunda maior cidade da Tailândia e a capital da província com o mesmo nome.

Localiza-se no vale do Rio Ping, numa zona montanhosa, a cerca de 700 km de Banguecoque. Tem mais de 300 templos, quase o mesmo número dos que existem na capital. Por existirem tantos templos, é considerada a capital espiritual da Tailândia.

História de Chiang Mai

A história desta cidade é bem diferente de Banguecoque ou Ayutthaya, as outras cidades sobre as quais eu já falei. Pertenciam a reinos diferentes e por isso a sua história é um pouco distinta.

A cidade de Chiang Mai pertencia ao Reino de Lan Na, o Reino de Milhões de Campos de Arroz.

Em 1296 Chiang Mai foi fundada e tornou-se capital do Reino de Lan Na durante 472 anos.

Sofreu algumas lutas contra os outros reinos existentes na sua proximidade, como o de Ayutthaya, tendo acabado por ser ocupado pelos birmaneses. Para tentar proteger a cidade foi construído um muro em volta da cidade (ainda hoje o vemos).

Os birmaneses permaneceram durante 200 anos até à existência de uma revolta da população. Seguidamente, o Reino de Lan Na tornou-se um estado do Reino de Sião. No entanto, esta influência birmanesa é visível ainda nos nossos dias nesta zona do norte da Tailândia.

Além dos inúmeros templos, Chiang Mai tem muitas outras atrações que passam por atividades relacionadas com desporto, compras, bem estar ou com a natureza. É possível realizar visitas ao parques de elefantes e tigres, para quem gostar.

O templo mais antigo de Chiang Mai é o Wat Chiang Man, que se localiza no interior da área muralhada. Foi construído logo após a fundação da cidade, em 1297. O Rei que teve a ideia de construir este templo budista viveu no seu interior para que pudesse supervisionar a construção da nova capital do reino Lan Na.

Existem vários edifícios principais no templo. De seguida, indico quais.

Salas de meditação

Existem duas salas de meditação. A sala maior tem uma fachada lindissima de ouro e abriga uma estátua de Buda, que é a mais antiga da cidade. Data de 1465.

A sala de meditação mais pequena tem no seu interior duas imagens de Buda. Os tailandeses acreditam que a imagem de cristal tem o poder de proteger contra catástrofes. A outra imagem foi esculpida em pedra no Sri Lanka no século XVIIIe acredita-se que tem o poder de invocar a chuva.

Na entrada da sala de meditação mais pequena existem duas nagas esculpidas.

Chedi Chang Lom

Este chedi é uma stupa em cuja base se encontram gravad 15 elefantes. É feito em pedra e o seu topo em ouro.

Ubosot

É o local onde os monges eram ordenados. O edifício é de madeira e pintado em várias cores. À frente do Ubosot encontra-se uma pedra, one está incrito a data de fundação da cidade de Chiang Mai.

Chiang Mai é uma cidade muito bonita e interessante e com uma história um pouco diferente da caóitca Banguecoque. Para perceber um pouco do país é necessário uma deslocação aqui, até ao norte do país. Esta zona foi outro reino, vai notar diferenças em vários aspetos, até na comida.

O Wat Chiang Man até pode não ser o mais interessante da cidade, mas foi o primeiro e tem alguns pormenores que são magníficos. Eu recomendo ir até lá e visitar. Fica mesmo no coração de Chiang Mai.

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